Para passar o dia na praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, gastando pouco, os banhistas das regiões mais distantes, como zona norte ou Baixada Fluminense, são capazes de carregar isopores e bolsas térmicas pesados durante horas no transporte público. A tarefa difícil é recompensada com a cervejinha gelada ou o sanduíche preparado em casa e saboreado nas areias de Copacabana.
Uma lata de cerveja nessa praia custa R$ 3. Um refrigerante sai entre R$ 2,50 e R$ 3. Já a garrafa d'água de 500 ml custa em média R$ 2,20. Se o orçamento está curto, a saída de muitas famílias é levar o próprio lanche.
A família de Leonel da Silva, com duas crianças e três adultos, saiu na quinta-feira (14) de Guadalupe, na zona norte do Rio, às 7h para chegar por volta das 9h em Copacabana. No isopor, levaram água filtrada, suco, iogurte, biscoitos e, claro, latas de cerveja, o que não pode faltar, diz Silva.
- Na vinda [para a praia] dá trabalho, porque o isopor está pesado. Mas na volta é tranquilo, porque já está vazio. Viemos para Copacabana porque é a praia mais fácil para vir de ônibus.
Silva gosta de ir à praia durante a semana, porque é menos movimentado e melhor para as crianças. Eles levam o lanche para gastar menos, “compro só sorvete”. O fato de a praia ficar perto de estações do Metrô - Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos e Cantagalo – também facilita a ida e a volta.
A dupla de amigas Talita Tavares da Silva e Carina Furtado da Silva enfrentaram duas horas de ônibus, carregando um isopor lotado, de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, até Copacabana. Elas resolveram aproveitar a folga da semana na praia, porque acham que, no fim de semana, as praias ficam muito cheias. Saíram de casa às 8h20 e 10h30 chegaram à praia.
A opção por trazer o lanche de casa é por causa do preço. Para Talita, sai muito mais barato comprar latas de cerveja no supermercado, colocar para gelar e levar para a praia dento do isopor carregado de gelo.
- É mais barato trazer tudo de casa. A gente também fez os sanduíches para trazer.
Mas não é só para se bronzear e tomar banho de mar que as amigas vão a Copacabana. Mesmo durante a semana, pode acontecer um clima de paquera. Sempre há uma esperança, diz Talita.
- Por isso, estamos sentadas mais longe, para se destacar.
Além de Copacabana, o casal Wilma Trajano da Silva e Everaldo de Lima, de Bonsucesso, na zona norte, também gosta de frequentar o Piscinão Ramos, na mesma região onde moram. Mas, durante a semana, com a praia menos movimentada, o casal aproveita para ir a Copacabana e levar os três filhos. Na bolsa térmica, o “kit econômico” - biscoito, água, sanduíche e iogurte.
- Nós só gastamos com os aluguéis das cadeiras e da barraca.
Aniversário na praia
E somente quem tem isopor pode proporcionar uma festa de aniversário na praia. A promotora de vendas Eliane da Silva, saiu com o namorado de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, com dois isopores, carregados de cervejas e refrigerantes, para comemorar o aniverário de uma amiga nas areias de Copacabana. Eles chegaram à praia de metrô, mesmo carregando tanto peso.
- Trazer isopor é uma opção quando a gente está sem dinheiro. Sempre fazemos aniversários aqui [em Copacabana]. Ficamos até acabar a cerveja.
O frentista Celso Luiz de Almeida e a mulher dele, Renata Gomes de Almeida, vieram de Ipuã, no interior de São Paulo, para conhecer o Rio e estão hospedados em Copacabana. Eles também garantem o lanche e as bebidas, trazidos em uma caixta térmica.
- Não comemos nada aqui, temos medo, não sabemos a procedência.
(Foto: Carolina Farias/R7)

Barracas e cadeiras mais baratas que no Piscinão
O aluguel da cadeira de praia em Copacabana custa R$ 3, da barraca, R$ 4, e do guarda-sol, R$ 3. Já no Piscinão de Ramos, o aluguel da cadeira custa R$ 4 e da barraca sai por R$ 5. Já o latão de cerveja sai mais em conta na praia artificial – a média de preço da bebida em 500 ml é R$ 3.