Meninos estão assustados com o caso envolvendo o ídolo do Flamengo
- Ele era nosso herói, agora ele é um monstro.
Veja a cobertura completa do caso Eliza
As crianças lamentavam diante de muros pichados na rua com os dizeres: “Bruno assassino”, “Bruno, seu monstro, dinheiro não é tudo”, e “O time do Flamengo é ruim, o goleiro ainda mata”.
Para a psicóloga Giovanna Borges, o diálogo é a melhor saída para minimizar possíveis traumas e frustrações.
A bola ainda é a melhor companheira. No vai e vem de helicópteros, carros da imprensa e da polícia, os meninos ainda tentam se divertir na rua Araruana. É na bola que eles encontram o conforto e quase uma tentativa de mudar de assunto, mas não tem jeito, os rumos que o desaparecimento de Eliza Samudio vêm tomando apontam cada vez mais que o ídolo planejou a morte da ex-namorada.
- Com todas essas coisas que a gente fica sabendo, não tem jeito de não pensar nisso o tempo todo. Gostava tanto dele porque ele ‘catava’ até mais do que o Fábio [goleiro do Cruzeiro].
A origem humilde de Bruno, assim como a dos dois garotos, também transformou o goleiro em espelho para um futuro melhor.
- Quando a gente brincava, eu sempre queria ser o Bruno. Foi depois que ele apareceu que eu quis ser o goleiro do meu time. E olha que quase ninguém quer ser o pegador.
Assíduos frequentadores do Mineirão em dias de clássico, os meninos chegaram a assistir Bruno jogar.
- A gente queria tanto chegar perto dele pra tirar uma foto, pegar autógrafo, mas nunca conseguimos porque ele sempre estava cheio de seguranças.
Um garoto conta que mal conseguiu dormir durante a noite de quinta-feira (8) porque ficava pensando em Bruno. Ele disse ter ficado com medo de ele aparecer na rua para se esconder ou procurar alguma coisa.
- Depois de tudo o que está acontecendo, fico com medo só de pensar que ele pode fugir.
A psicóloga Giovanna Borges alerta os pais a ficarem atentos e conversar com os filhos sobre o assunto.
- As crianças são, na maioria das vezes, muito sensíveis. Quando se apegam a um ídolo, o sentimento é de quase devoção. Em situações como esta, o diálogo é fundamental. É preciso mostrar que, por mais que as pessoas acertem em certas fases da vida, um dia elas acabam errando. Todos nós estamos sujeitos a isso, até mesmo os heróis. As decepções fazem parte da vida.
Segundo a psicóloga, é importante tentar desassociar a imagem de Bruno e suas falhas daquela do atleta de bom desempenho. Os pais devem ficar atentos porque o fato do goleiro ser rico e ter chegado onde chegou ainda pode motivar o deslumbramento dos filhos.
- É uma pena que muitos ídolos não tenham a dimensão da importância que realmente têm para seus fãs. Agora cabe aos pais argumentarem com seus filhos. Se ele tem a camisa do atleta ou se ainda quer comprar uma, é preciso saber o que a criança quer dele.
Muro de policial é pichado
Muros pichados e um movimento que a Rua Araruana, no bairro Santa Clara, nunca viu. Os vizinhos do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos ainda estão assustados com a notícia de que o morador, sempre pacato e atencioso, teria matado a ex-amante do goleiro Bruno.
Entre os portões da casa de Marcos, duas câmeras fazem a vigilância da residência.
- Ele sempre recebia a mãe em casa e sofria muito com a morte do pai, vítima de um acidente de carro. Não consigo acreditar que ele realmente fez isso, só pode ser um engano - disse uma vizinha, que, assim como a maior parte dos moradores, não quis se identificar.
Todos os apontados pela polícia como suspeitos no desaparecimento de Eliza Samudio negam envolvimento no caso. Oito pessoas foram presas após denúncia de um primo de Bruno. O rapaz de 17 anos disse ter presenciado o crime em Minas. O menor está detido no Rio de Janeiro.
As informações são do Hoje em Dia