Foto por Divulgação/ Instituto Baía de GuanabaraRio tem desafio de tratar 80% do esgoto até Olimpíada de 2016
Há quem considere impossível limpar em sete anos o que não se conseguiu em 15, desde a criação do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara. Outros, mais otimistas, reconhecem a complexidade das obras, mas acham que a meta pode ser alcançada com investimento e boa administração.
O biólogo Mário Moscatelli, que participou do processo de despoluição da lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, acha que a despoluição é possível, mas cobra seriedade dos governantes na execução dos projetos.
- O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara só não deu certo, porque foi tratado de forma irresponsável pelo Estado por muitos anos.
O engenheiro florestal Axel Grael lembra que, à época do lançamento do programa de despoluição, o nível de endividamento do Estado era alto e os recursos não foram suficientes: ou se investia em redes de esgoto ou em construção de estações de tratamento.Já o professor de engenharia oceânica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Paulo Cesar Rosman acredita que, em sete anos, não dá para resolver o problema de cerca de três milhões de pessoas que vivem sem qualquer tipo de saneamento básico.
Para ele, será possível apenas melhorar a situação, mas não acabar com a poluição. Ele explica que o nível de sujeira das águas é tão grande que, se houvesse um milagre e todos os problemas relacionados ao esgoto fossem resolvidos, as águas ainda levariam um ano para ficar limpas.
Multas
O especialista em direito ambiental Luiz Guilherme Natalizi alerta para a questão das multas e punições, caso o que foi proposto pelo Comitê Organizador Rio 2016, não seja cumprido.
- O descaso das autoridades com esse assunto sempre foi muito grande. Todavia, tendo em vista que fomos escolhidos sede da Olimpíada de 2016 e, dentre os compromissos firmados com o COI [Comitê Olímpico Internacional ] estão metas ambientais, sob pena de multas e outras sanções, acredito que é possível que a baía venha apresentar níveis baixos de poluentes, próprios para banho em alguns anos.
A engenheira química Dora Hees de Negreiros, presidente do Instituto Baía de Guanabara, contou que trabalha há 16 anos para que despoluição aconteça e que nunca perdeu as esperanças.
- É bem verdade que os políticos não gostam de investir em obras mal cheirosas, enterradas, que nem têm como fazer uma bela inauguração, mas tratar a água, o esgoto e o lixo são emergências e vou acreditar sempre que isso acontecerá.