27 de Maio de 2012
Mulher que hospedou Eliza em São Paulo diz sentir saudades da criança
Uma criança grande, carente, um pouco cabeça-dura e boa mãe. É assim que a dona de casa Aurenir da Silva define Eliza Samudio, a quem abrigou entre outubro de 2009 e abril deste ano em seu sobrado, no bairro de Cangaíba, na zona leste de São Paulo. Depois desse período, a ex-amante do goleiro Bruno foi para o Rio de Janeiro e, a partir de então, teve pouco contato com Aurenir.
Eliza dividia a residência com uma amiga, filha de Aurenir. Conforme o R7 noticiou, Aurenir diz que Eliza desejava ver seu filho com o pai dela, Luis Carlos Samudio. Ela afirma que Eliza não tinha bom relacionamento com a mãe, Sônia de Fátima Moura, que atualmente cuida do menino de oito meses. Luis Carlos briga na Justiça para ter a guarda da criança.
Aurenir tem 54 anos e trabalha como enfermeira em uma clínica geriátrica no bairro da Mooca, também na zona leste. Eliza Samudio desapareceu em junho passado. O goleiro e outras oito pessoas são acusados de terem matado a modelo.
Leia a seguir entrevista com a amiga de Eliza:
R7 - Por que a senhora deu abrigo para Eliza?
Aurenir da Silva - É o que eu faria com qualquer pessoa, independente de quem seja. Se fosse a minha filha passando por essa situação, precisando de uma casa, e grávida, eu gostaria que alguém apoiasse, desse carinho.
R7 - A senhora está disposta a ficar com o filho de Eliza?
Aurenir - O filho para mim? [risos] Não, não... Se fosse para eu criar ele, eu criaria, mas ele tem o vô dele, né?
R7 - O avô ficando com ele fica tudo bem?
Aurenir - Lógico, ele [o filho de Eliza] não é da minha família. Nem se ela tivesse deixado uma procuração, como ela tinha me prometido, acho que a Justiça deixaria. O menino tem o avô, né?
R7 - A senhora conheceu o avô?
Aurenir - O seu Luis veio aqui uma vez só. Ele não me ligou mais, não sei. Acho que está muito ocupado. Pelo que eu vi, é uma pessoa muito boa. A Eliza não falava muito dos pais dela. Ela falava muito mais da madrasta, se falavam sempre pelo computador. Ela até tinha comentado comigo: 'Tia, quando o bebezinho tiver uns seis meses a gente vai lá para Foz do Iguaçu para a senhora conhecer minha madrasta e você ver como ela é boa para mim'. Primeira coisa que ela queria fazer depois do Rio de Janeiro era ir para Foz.
R7 – E a mãe de Eliza?
Aurenir - Ela dizia: 'Não vou deixar ela nem conhecer o bebê. Ela não gostou de mim, nunca gostou'. Quando ele nasceu, eu disse: 'Filha, entra em contato com a sua mãe'. Ela dizia: 'Minha mãe morreu faz tempo'. Não atiro a primeira pedra, ainda sou do tempo dos princípios.
R7 - O que ela fazia enquanto estava na sua casa? Ela tinha algum hobby?
Aurenir - Ela ficava muito em casa. No começo, ela estava muito assustada pelo que aconteceu. Depois, ela melhorou bastante.
R7 – Como foi a convivência?
Aurenir - Foi Deus quem mandou ela passar na nossa vida. Ela era uma pessoa muito boa, muito carente... Precisava de amor, de carinho. O tempo em que ela ficou aqui, a gente fez tudo por ela. Ela foi muito feliz. Só foi meio conturbado, porque ela tinha uma esperança que ele [Bruno] reconhecesse o neném como filho. Ela não queria a riqueza dele, queria colocar o nome dele. Claro, né? Não é filho de chocadeira: tem pai e tem mãe.
R7 – Ela recebia visitas? Tinha amigos?
Aurenir - Não vi ninguém aqui não. Pelo menos quando ela chegou aqui em casa, ela não queria saber de ninguém. Se ela teve amizade, teve antes de vir para cá. Ela falava bastante com as amigas por telefone, por rádio... Aqui ninguém vinha não.
R7 – Como era Eliza?
Aurenir - Era uma pessoa que fazia amizade. Gostava das coisas corretas, não gostava de mentira. Ela era muito de falar as coisas, sempre foi direta, doesse a quem doesse. Era o jeitinho dela, entendeu? Eu nunca vi nada de anormal, nunca vi ela falando besteira.
R7 - Ela ajudava nas tarefas domésticas?
Aurenir - Não fazia nada porque eu não deixava. Porque era só eu e ela, não tinha por que e ela estava grávida e cuidando do neném. Ela gostava muito de cozinhar. Ela gostava muito de verdura, legumes. Gostava de fazer suco. Era uma menina... Aliás, era uma menina, uma criançona. Mas também era uma mãezona.
R7 – Ela era uma boa mãe?
Aurenir - Quando ganhou o neném, ela cuidava daquele menino de um jeito que eu até admirei. Cuidava muito bem, não deixava ele um minuto sozinho. Tinha um ciúmes dele... [risos] Quando alguém pegava o neném, ela ficava preocupada. Tinha umas crianças, filhos de parentes meus, que chegavam para pegar a criança, ela ficava nervosa. 'Não tia, não é para ninguém pegar o neném'.
R7 - Sente saudade do menino?
Aurenir - Eu sou vó do menino também. Eu sou vó dele. Eu tenho saudade dele [chora por cerca de um minuto]. Às vezes eu fico me perguntando, como que uma mãe [se refere à mãe de Eliza, Sônia] tem coragem de abandonar a filha e, depois, querer ficar com o neto. Nada contra, ela é mãe e avó. Talvez ela queira compensar o que não fez com a Eliza e quem sou eu? Não julgo ninguém. Deus sabe de todas as coisas.
R7 - Eliza tinha planos para o futuro?
Aurenir - Ela falava: 'Quando resolver o problema [da pensão] com o Bruno, eu vou viver só para o meu filho'. Ela dizia que o amor que a mãe não deu para ela, ela ia dar para o filho.
R7 - Os filmes pornôs que Eliza participou traziam constrangimento?
Aurenir - Não sei, não quero ver, nem quero saber. Acho que a vida pessoal de cada um é de cada um. O passado dela não interessa para ninguém. Ela nunca falou nada para mim. Nunca soube de nada dela, ela nunca comentava, era uma pessoa simples.
R7 – Quando a senhora conversou com Eliza pela última vez?
Aurenir - A última conversa que eu tive com ela foi um dia antes de ela... Acho que ela já estava premeditando ir para o Rio. Ela falou que tinha que ir para resolver os problemas com o Bruno. Ela disse que não ia mais para Justiça, porque a Justiça é demorada. Falei para ela não ir. De repente, quando cheguei em casa, ela já tinha tirado a passagem para o Rio. Nossa! Aquilo me deu uma coisa no coração. E ela disse 'notícia ruim vem logo'. Ela era muito teimosa nesse sentido.
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