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publicado em 06/11/2009 às 09h36:

Especialistas criticam envio de presos do Rio para outros Estados

Secretaria de Segurança do Rio decidiu transferir na semana passada 11 presos para Mato Grosso do Sul

Mario Hugo Monken, do R7, no Rio

A transferência de traficantes do Rio de Janeiro para penitenciárias de outros estados tem gerado polêmica entre especialistas do assunto. A decisão da Secretaria de Segurança Pública do Rio de enviar na semana passada 11 chefes do tráfico para a Campo Grande (MS) é questionada pela socióloga e diretora de presídios cariocas na década de 90, Julita Lengruber. Em entrevista ao R7, ela afirmou que a decisão é uma "demonstração da incompetência do Estado em cuidar dos seus presos".

- É muito cômodo para o Estado mandar os presos para outro lugar. Ele se livra do problema e joga no colo do governo federal. O Estado [Rio] tem presídios de segurança máxima. Se não confia em quem está lá tomando conta, que troque as pessoas.

O Rio tem hoje quatro penitenciárias de segurança máxima, todas no complexo prisional de Gericinó, em Bangu, zona oeste. As unidades têm bloqueadores de telefone celular, que interceptam sinais não só de celulares como também de rádios Nextel; câmeras de vigilância; detectores de metais; portões eletrônicos e uma portaria unificada. No entanto, apenas na unidade Bangu 1 há celas individuais. Alguns chefes do tráfico carioca estão presos nessas unidades.

Para Julita, a transferência dificulta o contato dos presos com os familiares que, na sua opinião, é de fundamental importância para a ressocialização. O presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro, Francisco Rodrigues, também critica o governo fluminense pelas transferências, mas discorda dos argumentos usados pela socióloga.

- Temos total e absoluta condição de guarnecer qualquer tipo de criminoso. Nosso sistema penitenciário é um dos mais eficazes em termos de segurança no território nacional. A transferência foi política, uma satisfação social. Mas foi atestado de incompetência. Só vamos poder acabar com o contato dos presos com o mundo exterior se acabarem as visitas de parentes e advogados.

O juiz federal do Mato Grosso do Sul Odilon de Oliveira disse concordar com a transferência de presos do Rio para penitenciárias federais, mas avalia que a medida não resolve o problema. Odilon atua como juiz em vários processos contra chefes do crime organizado, entre eles o do traficante fluminense Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que está preso em Campo Grande.

- Há uma diferença abismal entre os presídios do Rio e os federais. Nos presídios federais, os presos ficam isolados e só têm contatos com os outros no banho de sol. Mesmo assim, são detentos que não pertencem ao mesmo grupo dele.

Segundo o magistrado, a única maneira de o preso conseguir continuar mandando em seus negócios, mesmo de longe, é transmitir recados para os cúmplices soltos por meio das visitas de parentes e dos advogados. De acordo com Odilon, até a corrupção nos presídios federais é incomum.

- O agente não tem contato com o preso. Ele não entra na cela. E tudo é filmado, tem detector de metais. Se for para corromper alguém, tem que ser todo mundo. E costuma ser de 30 a 40 agentes por plantão.

Para o magistrado, a solução definitiva para combater o crime organizado no Rio de Janeiro é o controle das fronteiras para evitar a entrada de drogas e armas no país, principalmente no limite com Bolívia, Paraguai e Colômbia.

Esta semana, a Prefeitura de Campo Grande e deputados federais da bancada do Mato Grosso do Sul se reuniram com diretores do Depen (Departamento Nacional do Sistema Penitenciário), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, para pedir a remoção de alguns criminosos do Rio para outros presídios federais, como Catanduvas (PR), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN). O Depen ficou de dar uma resposta em até 60 dias.

 
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