Estudante atendeu menina que morreu após 26 dias em coma no Rio
O delegado titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima, Luis Henrique Marques Pereira, informou no início da manhã desta segunda-feira (16) que o estudante do quinto período de medicina Alex Sandro da Cunha Silva está sendo procurado em vários endereços desde a noite de sexta-feira (13) e ainda não foi localizado.
De acordo com investigações, o rapaz trabalhava como falso médico no hospital RioMar, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, e consultou a menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, morta na sexta-feira aos cinco anos de idade após 26 dias em coma. O estudante teve a prisão temporária decretada na noite de sexta-feira e é considerado foragido, segundo o delegado.
- Se ele não está foragido, peço por favor que se apresente à delegacia então. Equipes estão fazendo buscas há três dias e ele ainda não foi localizado em nenhum dos endereços.
O advogado de Alex, Cláudio Tavares Oliveira Juniores, disse que não foi comunicado oficialmente sobre a decretação de prisão e que o cliente se entregará assim que o caso for analisado.
- Meu cliente não vai se omitir à apresentação. Esse pedido de prisão temporária e a decretação por parte da Justiça foi uma surpresa. Fui avisado pela imprensa. Vou à delegacia tomar conhecimento dos fatos, analisar e apresentá-lo assim que estiver a par de tudo isso. Estamos colaborando até agora e não será diferente. Se o Alex não tivesse se apresentado semana passada não teriam conseguido chegar à doutora Sarita, por exemplo.
A médica Sarita Fernandes Pereira, com mais de 20 anos de profissão, foi presa em casa, na zona oeste do Rio, na manhã de sábado (14) e levada para o presídio Nelson Hungria, mais conhecido como Bangu 7, no complexo penitenciário de Gericinó, na zona oeste. Ela era chefe da pediatria do hospital RioMar e contratou o estudante como médico. Ele usou o registro de um profissional com o qual já havia trabalhado.
Alex contou durante depoimento na semana passada que atendeu, medicou irregularmente e deu alta à Joanna. Ao ser internada em outra unidade, apresentava convulsões, hematomas nas pernas e grandes queimaduras nas nádegas e tórax.A médica e o estudante foram indiciados por falsidade ideológia, falsidade material, tráfico de drogas (uso de medicamentos controlados), associação para o tráfico e exercício ilegal da profissão com agravo do fato da criança ter morrido. O inquérito deve ser entregue à Justiça nos próximos dias.
Na delegacia, a pediatra negou envolvimento no caso e atribuiu a responsabilidade de contratação do falso médico ao hospital. Ela chorou e se defendeu.
- Eu acredito na Justiça. Eu acredito na minha advogada e eu sei que isso tudo vai acabar bem.
Demitida e processada
A assessoria de imprensa do hospital RioMar informou através de nota que a direção demitiu a médica e estuda a possibilidade de entrar com um processo cível e um outro criminal contra ela.
Ela trabalhava há cinco anos na unidade. Há dois anos ela assumiu a coordenação do setor de pediatria do hospital. Entre as atribuições, era ela a responsável pela contratação de novos médicos.
O falso médico trabalhava no hospital de madrugada e nos fins de semana. Ele tinha sido contratado há menos de seis meses.
Disputa entre os pais
A mãe de Joanna acusa o ex-namorado e pai da menina de maus-tratos. Os dois disputavam a guarda da filha há dois anos e ela estava sob os cuidados do pai. Ele nega qualquer tipo de agressão e diz que a filha se machucou sozinha por causa de problemas neurológicos. A polícia investiga os ferimentos e principalmente a origem das queimaduras.
O enterro foi domingo (15), no cemitério Jardim da Saudade, em Edson Passos, Mesquita, na Baixada Fluminense. A madrasta de Joanna foi hostilizada pela família da mãe da menina e expulsa do local.
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