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publicado em 17/10/2010 às 19h32:

Falta de emprego faz jovens abandonarem Itueta (MG)

Cidade do Vale do Rio Doce está se tornando um lugar com apenas crianças e idosos

Do R7, com Hoje em Dia

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Uma cidade com pouco mais de 5.600 habitantes corre o risco de transformar-se em moradia quase que exclusiva de crianças e idosos. Esta é a situação de Itueta, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais reinaugurada em 2004 depois de o território original, a 7 km de distância, ser inundado para a construção da Usina Hidrelétrica de Aimorés. Seis anos depois, o município assiste à partida de habitantes jovens, desiludidos com a falta de emprego e descrentes em um futuro melhor.

De acordo com a professora Rosângela Nicoli, de cada 60 jovens que completam o Ensino Médio, pelo menos a metade deixa Itueta em busca de trabalho por ano. Não há números oficiais sobre esse fenômeno e a expectativa é de que o Censo 2010, que está sendo feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revele quantos são os habitantes que emigraram para outras cidades e países.

Dados do Censo anterior, de 2000, já apontavam para uma queda da população de Itueta, em especial a rural. De acordo com o levantamento, naquele ano, 44% dos moradores estavam na zona urbana - mais que o dobro do verificado em 1970 (20,7%).

O Censo também mostra que Itueta seguiu a tendência nacional e estadual de transformação na composição etária de sua população nesse período (1970 a 2000), com diminuição do percentual de crianças e jovens até 15 anos e aumento da expectativa de vida. Ou seja, os casais estão tendo menos filhos e os idosos, vivendo mais.

A gerente executiva da Rede de Valorização de Itueta, Cyntia Carreira Boechat explica que como os jovens estão indo embora em busca de trabalho e renda, ficam as poucas crianças e os moradores mais velhos. Cyntia trabalha na ONG Rede Vivas, que promove o desenvolvimento sustentável da cidade.

Entre os idosos, uma das mais velhas é Maria Faustina, de 104 anos, avó da professora Rosângela, que também é diretora da Escola Estadual Américo Vespúcio e presidente da Rede Vidas. Para a educadora, os jovens são a maior preocupação.

- A expectativa da maioria dos meninos que concluem o segundo grau é conseguir trabalho. Como não conseguem, vão embora.

Destino que até o filho de Rosângela deve seguir. Depois da formatura, no fim do ano, o rapaz vai afivelar as malas.

- Ele quer fazer faculdade e encontrar trabalho. Aqui só tem a prefeitura e uma escola estadual para empregar. 

Mudança condena comércio e lazer

A falta de trabalho e renda não são os únicos responsáveis pelo esvaziamento de Itueta. A cidade foi remanejada em 2004 para o lado direito da BR-259, por causa da construção da Usina Hidrelétrica de Aimorés e a adaptação com o novo espaço é gradativa. Apesar disso, não é difícil encontrar quem não se conforme com a mudança.

A dona de casa Amélia Evangelina de Andrade, 68 anos, passou metade da vida vendendo biscoitos, doces e mangas aos passageiros da Estrada de Ferro Vitória-Minas pela janela do trem. A linha férrea atravessava o antigo município.

- Eu tinha muita plantação no quintal, pés de manga e coco. Recebi esse lote limpo e tive que plantar tudo de novo. Ainda não consegui me acostumar.

Outro morador inconformado é Rúdio Pieper, presidente do Sindicato Rural e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável e ex-prefeito da antiga Itueta. Ele tem quatro filhos e destes, dois moram nos Estados Unidos.

- Querem voltar, mas não há o que fazer aqui.

O morador conta que a cidade antiga era dividida em duas: o lado norte e o lado sul. O primeiro era uma colônia de descendentes de alemães, conhecida como Pomerana ou Vila Neitzel. No outro ficava a de italianos. Mas com a transferência da sede, as duas partes do município acabaram muito distantes uma da outra.

Cemitério vazio e crimes em baixa

Se por um lado há quem reclame da falta de movimentação na cidade, há também os que comemoram. Um deles é o comandante da Polícia Militar local, sargento Marcondes Barbosa. Há quatro meses, houve o único homicídio no lugar nos últimos cinco anos.

As ocorrências comuns na cidade, revela, são de pequenos furtos, agressão e acidentes sem vítimas. A maioria, no entanto, é registrada no distrito de Quantituba, que tem cerca de dois mil habitantes.

- Às 19h não tem mais ninguém nas ruas. Pode ser que, por isso, quem passa por aqui ache que a cidade está vazia, é fantasma.

Sem imobiliárias, não há como saber quantas casas estão à venda em Itueta, mas imóveis vazios, ou com placas de “vende-se” e “aluga-se”, são encontrados com facilidade em várias ruas.

A prefeitura, maior empregadora em Itueta, tem cerca de 300 servidores e a única escola estadual da cidade emprega outras 30 pessoas - as outras sete escolas são municipais. A principal renda vem da agricultura familiar. O prefeito de Itueta, Orestes Baldon (DEM), foi procurado, mas estava viajando.

A assessoria da Usina Hidrelétrica de Aimorés não deu retorno ao pedido de informações. A usina foi construída por meio de um consórcio firmado entre a Vale e a Cemig. Foram investidos R$ 854 milhões.


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