18 de Maio de 2013
Morro do Fallet, segundo policial, arrecadaria por mês até R$ 10 milhões
Um policial ouvido pela reportagem do R7 estima que traficantes do Fallet, no Rio Comprido (zona norte), vinculados à facção criminosa que controla o complexo do Alemão, vendam por dia cerca de 5 kg de cocaína e faturem mensalmente entre R$ 6 milhões a R$ 10 milhões. Para o agente, o fato de o morro estar perto do centro da cidade atrai usuários da região metropolitana que trabalham no Rio. Outro motivo para o grande movimento é a venda de cocaína com menos mistura.
O Fallet substituiu o morro da Providência, no Santo Cristo, zona portuária, como o grande entreposto de drogas na região central da cidade. A Providência perdeu mercado nos últimos anos após as prisões de chefes do tráfico, da ocupação do Exército e, mais recentemente, da instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). O morro abastecia também usuários dos grandes escritórios do centro carioca, papel agora do Fallet.
200 traficantes e 40 fuzis
O chefe do tráfico no local, segundo a polícia, é Flávio Pedro da Silva, o Kiko. Segundo o Disque-Denúncia, ele teria negócios no Paraguai e na Bolívia para compra de armas e drogas e lavaria parte do dinheiro do tráfico em Santa Catarina, onde foi preso em 2006.
Por ficar próximo ao complexo de São Carlos, controlado por uma facção rival, o Fallet é uma comunidade fortemente armada. A polícia estima que o morro tenha cerca de 200 traficantes que circulam com pelo menos 40 fuzis. Até mesmo os vapores (jovens que vendem drogas fora da boca) andam armados.
Kiko tem perfil violento. No início do ano, comandou um ataque a policiais militares na Cidade Nova, na região central da cidade, que terminou com a morte de um dos PMs. A ação foi em represália à morte de seu filho de 17 anos durante uma operação e também para roubar o fuzil dos policiais.
Em termos de consumo interno - quando os moradores são os compradores -, o Fallet ainda perde para a favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul, que também lidera na quantidade de droga vendida para outras comunidades juntamente com Acari e o complexo do Alemão, ambas na zona norte.
A ousadia dos traficantes do Fallet é tanta que, há três anos, eles fizeram, com uma substância branca, uma trilha na rua Barão de Petrópolis, no Rio Comprido, para ensinar os usuários o caminho até uma das bocas de fumo.
Assista ao vídeo:
A morte de Cheiroso ocorreu em setembro do ano passado. O vídeo mostra ele sendo morto com um tiro, enquanto caminhava com outros dois homens pelas ruas da favela. É possível ouvir uma contagem regressiva antes do disparo. Nas gravações, os atiradores conversam e um deles diz: "Que delícia, peguei mané", quando consegue alvejar Cheiroso.
No registro da morte do traficante, feito no dia 19 de setembro, foi informado que ele morreu após troca de tiros com bandidos rivais, durante churrasco no morro. Os investigadores admitem que policiais podem ter participado do crime ou até mesmo um atirador de elite da PM, já que o disparo foi certeiro e de longa distância.
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