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publicado em 04/06/2011 às 05h54:

Goleiro Bruno ajudou a financiar o tráfico
no Rio de Janeiro, diz colega de cela de Bola

Afirmação foi feita por detento em depoimento à Justiça de Minas Gerais

João Varella, do R7

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O goleiro Bruno Fernandes, principal acusado do assassinato de Eliza Samudio, teria ajudado a financiar o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. A afirmação foi feita por Jaílson Alves de Oliveira, um presidiário que dividiu cela com outro acusado de matar Eliza, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola. A acusação consta no depoimento de Oliveira à Justiça de Minas Gerais sobre uma suposta tentativa de Bola e Bruno de matar a juíza do Tribunal do Júri da comarca de Contagem, Marixa Fabiane Rodrigues. O R7 obteve cópia da íntegra do depoimento prestado no dia 26 de abril deste ano.

Infográfico: relembre o caso

Oliveira dividiu cela com Bola na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). Condenado por latrocínio (roubo seguido de morte), o detento afirma que o ex-goleiro do Flamengo teria dado dinheiro ao traficante da favela da Rocinha conhecido como Nem. Por causa dessa dívida, Bruno teria mandado o criminoso carioca  matar uma série de desafetos, entre eles juíza Marixa Fabiane Rodrigues, conforme revelou o jornal Hoje em Dia.

No depoimento, Oliveira afirma que "(...) o Bruno tem essa força do Rio, porque presta assistência ao tráfico (...) ".

O advogado de Oliveira, Ângelo Carbone, afirma que seu cliente corre risco de vida por saber demais e é o mais vulnerável entre os supostos alvos de Bruno. Oliveira foi transferido nesta semana para outra penitenciária, de acordo com Carbone. 

Além da relação de Bruno com o tráfico do Rio, Oliveira disse à Justiça que Bola teria revelado que o goleiro tinha um plano de fuga. Ele fingiria estar doente para deixar a penitenciária e ser resgatado no meio do caminho do hospital. Bola teria contado ainda detalhes de como matado Eliza Samudio, ex-amante de Bruno. 

Micro-ondas

De acordo com Oliveira, Bola teria matado Eliza em um terreno do GRE (Grupo de Resposta Especial) da Polícia Civil mineira e, em seguida, queimado o corpo dela em uma estrutura com pneus, conhecida como "micro-ondas". Depois disso, as cinzas da jovem teriam sido jogadas em um rio. O ex-policial teria dito ainda que "só se os peixas falarem" o corpo de Eliza será descoberto.

A reportagem do R7 ligou vários vezes e mandou diversos e-mails, mas não conseguiu contato com a Polícia Civil de Minas Gerais para comentar a informação até a publicação desta notícia. 

Mizael

Em seu depoimento, Oliveira informou também que Bola estaria incomodado com outro caso de repercussão nacional, o assassinato da advogada Mércia Nakashima. Em seu relato, Oliveira afirma que "Bola ficou invocado com o fato do advogado que matou a advogada de São Paulo já ter saído duas vezes [da prisão] e ele não ter saído nenhuma vez" (sic). É uma referência ao principal suspeito de matar Mércia, Mizael Bispo, ex-namorado da vítima, que está atualmente foragido. O crime completou um ano no final de maio. Mas, ao contrário do que Bola teria afirmado, Mizael não chegou a ser preso nenhuma vez, embora a Justiça de São Paulo tenha decretado sua prisão duas vezes.

Outro lado

Questionado pelo R7 sobre as afirmações feitas por Oliveira em seu depoimento, o advogado de Bola, Zanone Manuel de Oliveira Junior, disse que "é tudo invenção". Ele mencionou como um "fato estranho" o advogado do detento, Ângelo Carbone, ter feito a defesa de Bruno antes de defender Oliveira.

Após a denúncia, a reportagem não conseguiu contato com o advogado de Bruno, Claudio Dalledone. Em conversa anterior, Dalledone afirmou que as informações de Carbone são "factoides". Assim como Zanone, Dalledone lembrou o fato de Carbone já ter atuado na defesa de Bruno e, por isso, entrou com uma representação contra ele na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Carbone rebateu o questionamento dos dois advogados afirmando que assumiu a defesa de Oliveira depois do depoimento dado por ele à Justiça de Minas Gerais.

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