27 de Maio de 2012
Clínicas pede que só pacientes com risco de morte procurem serviço de emergência
O quadro de caos que se instalou nas emergências de hospitais públicos conveniados ao SUS (Sistema Único de Saúde) parece não ter fim em Porto Alegre. Nesta segunda-feira (25), os dirigentes das instituições fazem um apelo para que apenas pessoas com risco de morte sejam encaminhadas para atendimento.
O Hospital de Clínicas, por exemplo, afixou o alerta na porta de acesso ao serviço de emergência. De acordo com a enfermeira chefe, Lurdes Busin, há muito tempo a unidade, com capacidade para 49 pacientes, opera com mais de cem. Nesta segunda, por exemplo, havia 64 pacientes em macas e cadeiras espalhadas pelos corredores.
Um idoso que ficou mais de 12 horas aguardando a liberação de um leito na enfermaria disse que os médicos pareciam contorcionistas à procura dos pacientes. No local, não são apenas os médicos que têm essa dificuldade. Os enfermeiros trabalham aos gritos na tentativa de localizar os enfermos na hora de ministrar doses de medicamentos.
No Hospital Nossa Senhora da Conceição, o quadro se agrava a cada dia. Segundo o superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, Neio Lúcio Fraga Pereira, faltam apenas dez pacientes para que o triplo da capacidade de leitos seja atingido. Com apenas 50 leitos, o hospital abrigava 140 enfermos no início da tarde desta segunda-feira. Pereira afirmou que o quadro permanece inalterado há vários dias.
- Já entrei em contato com o secretário municipal de Saúde, Carlos Casartelli, para expor a situação que tende a ficar ainda mais crítica nos próximos dias.
De acordo com Pereira, a maioria dos pacientes abrigados no setor de emergência do Conceição é portadora de doenças crônicas.
- São pessoas que necessitam permanecer em leitos para internação clínica.
Já no Hospital São Lucas, da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), o setor de emergência do SUS contabilizava 17 excedentes. Havia 32 adultos enfermos em área projetada para abrigar 15. Na ala infantil, também vinculada ao SUS, 12 crianças estavam em observação - uma a mais do que a capacidade. Em alguns hospitais, é necessário esperar até quatro horas para consultas.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7