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publicado em 17/10/2009 às 09h57:

Irmão de Hélio Oiticica diz que maior prejuízo de incêndio foi para a cultura

Fogo destruiu acervo do artista plástico na casa do irmão dele na zona sul do Rio

Camila Ruback, do R7 no Rio

O arquiteto César Oiticica, irmão do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980), disse à reportagem do R7 na manhã deste sábado (17), horas após um incêndio ter destruído acervo de obras de Oiticica em uma residência na zona sul do Rio de Janeiro, que a principal vítima do fogo foi a cultura brasileira. Bastante emocionado, ele não conseguiu conter as lágrimas.

- Neste local estava todo o trabalho que meu irmão viveu para fazer e todo o trabalho que passei a minha vida preservando. É muito triste. A família toda está muito abalada e, aqui em casa, a gente não para de chorar. Não conseguimos acreditar no que está acontecendo. Quem mais perdeu foi a cultura brasileira. É o maior prejuízo que a cultura brasileira sofreu em todos os tempos e, por um momento, eu queria ter acabado junto com essas obras.

 



Ainda muito nervoso, Oiticica disse que já começou a fazer um levantamento para saber o que foi perdido, o que pode ser recuperado e o que não foi atingido pelo fogo. No entanto, ele estima que 90% das obras estão destruídas e que o prejuízo é de cerca de R$ 340 milhões (US$ 200 milhões) ou mais.

- Com certeza perdemos diversos parangolés, bolóides, reportagens, documentários, vídeos, livros, quadros, quase tudo. Dificilmente conseguiremos recuperar muita coisa.

César Oiticica disse que o incêndio começou por volta das 22h30 de sexta-feira (16), quando jantava com um casal de amigos. Cinco pessoas estavam no segundo andar da casa e ouviram um barulho vindo da sala do acervo, que fica no primeiro andar.

- Ouvimos um estrondo e corremos para ver o que era. Então, a sala já estava com chamas enormes e uma fumaça preta tomou conta da minha casa. Começamos a gritar e não podíamos entrar na sala climatizada para tentar salvar alguma coisa, porque havia labaredas. Os bombeiros chegaram rápido e levaram umas duas horas para controlar o fogo. Foi realmente terrível.

Cesar Oiticica descartou completamente a hipótese de o incêndio ter sido criminoso e não faz ideia do que pode ter provocado o fogo.

- Não foi criminoso com absoluta certeza. Isso está fora de cogitação. Minha rua é muito segura, minha casa é segura e a sala do acervo era mais segura ainda. Tinha até sensores de identificação para proteção das obras. Não tenho ideia do que pode ter acontecido.

Cerca de 20 bombeiros dos quatéis do Humaitá e Catete participaram das operações de controle do fogo e rescaldo, que é a checagem de possíveis novos focos após o incêndio. Ninguém ficou ferido. O oficial Oliveira, do quartel do Humaitá, informou que a perícia no local deve acontecer na segunda-feira (19). Segundo ele, as causas do incidente ainda são desconhecidas, mas há grandes chances de ser curto-circuito.


 
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