A empresa de aviação pode recorrer da sentença; acidente ocorreu em junho de 2009
A Air France foi condenada a pagar R$ 2,04 milhões à família da procuradora do Estado do Rio de Janeiro Marcelle Valpaços Fonseca Lima, de 41 anos, uma das 227 vítimas do acidente com o Airbus da companhia que fazia o voo 447, em 31 de maio de 2009, quando a aeronave caiu.
O juiz Mauro Nicolau Júnior, da 48ª Vara Cível do Rio de Janeiro, condenou a companhia francesa a pagar indenização por danos morais.O juiz salientou no processo que a perda de filha e irmã em pleno início de idade adulta - quando a família teria oportunidade de ver e acompanhar o desabrochar de uma nova família e carreira - "representa perda irreparável".
No processo é destacado ainda como agravante o fato de que a queda do airbus se caracterizou como a maior tragédia da aviação civil do país e uma das maiores do mundo.
- E se deveu, em grande parte, pela conduta negligente da ré -, disse o magistrado.
A empresa pode recorrer da sentença, que determina que a Air France deve pagar uma pensão mensal aos pais da procuradora, já que eles dependiam economicamente da vítima. Além disso, os dois irmãos vão receber cerca de R$ 500 mil em indenização por danos morais.
- A dor dos familiares ainda se multiplica pela impossibilidade de chorar, velar e sepultar seu ente querido, o que mantém aberta uma ferida para toda a vida -, diz o texto da sentença.
O avião, um Airbus A330 da Air France, caiu no oceano Atlântico quando cobria a rota entre aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e Paris em um acidente de causas ainda desconhecidas, principalmente por que a caixa-preta do aparelho não foi encontrada.
Segundo o Organismo de Investigação de Acidentes da França (BEA, na sigla em francês), a aeronave não sofreu despressurização durante o voo e "provavelmente" estava inteira antes do impacto com a superfície marinha.
Além disso, o BEA pôs em dúvida a confiabilidade dos sensores Pitot, destinados a medir a velocidade dos aviões.