publicado em 07/07/2010 às 06h02:
atualizado em: 07/07/2010 às 06h15
Justiça deve decidir sobre pedido de apreensão de primo de Bruno nesta quarta-feira
Menor de idade confessou à polícia ter participado da morte de Eliza Samudio
Mario Hugo Monken, do R7 no Rio
Texto:
A Justiça do Rio de Janeiro deverá decidir, nesta quarta-feira (7), sobre o pedido de apreensão do menor de 17 anos suspeito de envolvimento no sequestro e morte de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro do Flamengo Bruno Fernandes.
A solicitação foi feita pela polícia carioca após o adolescente, que é primo do jogador, ser ouvido na terça-feira (6) na Divisão de Homicídios. Ele não tem passagem pela polícia. Um homem ligado ao menor deu detalhes sobre a morte de Eliza à rádio Tupi.
O delegado da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, afirmou na noite de terça que o pedido de apreensão do adolescente já foi formalizado e que aguarda a decião da Justiça. De acordo com ele, o menor foi encaminhado para a Delegacia de Proteção à Criança e o Adolescente, que fica no centro do Rio de Janeiro.
Na saída da delegacia, Ettore afirmou que nenhum pedido de prisão será feito pela polícia do Rio de Janeiro. Segundo ele, apenas a corporação em Minas Gerais, que está a frente do caso, poderá tomar esta atitude.
Ettore não teceu nenhum comentário sobre o que foi dito pelo menor. Já o promotor Homero das Neves, que acompanhou a conversa, considerou o depoimento "crível e razoável".
De acordo com um policial da divisão, o adolescente entrou em contradição diversas vezes. Porém, ele confirmou que sequestrou Eliza e seu filho de quatro meses no flat onde eles estavam morando na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e que, no caminho para Minas Gerais, deu uma coronhada na ex-namorada do goleiro. Sem dar detalhes, o policial disse que o jovem confirmou que ela morreu.
Monclar Gomes, que defende Bruno no caso, confirmou ao deixar a delegacia nesta terça-feira que o rapaz é primo do goleiro. O policial afirmou que o adolescente estava escondido no carro. Segundo o depoimento, Eliza chegou ao veículo conduzida por uma pessoa ainda não identificada pela polícia.
O jovem contou, segundo o policial, ter dado a coronhada, porque ela teria ficado nervosa com a situação. Em nenhum momento do depoimento, ele mencionou o nome do goleiro Bruno. O inspetor disse, com base no depoimento, que Eliza chegou viva ao sítio do goleiro na cidade de Esmeraldas (MG) e que ainda não é possível afirmar se a causa da morte foi a coronhada.
O delegado Edson Moreira, responsável pela investigação do desaparecimento de Eliza disse ao R7 nessa terça-feira que o depoimento do primo do Bruno não foi convincente.
- [O jovem] apareceu muito de repente. Esse depoimento tá puxando [a culpa pelo crime] para ele. Vamos analisar tudo para falar com mais tranqüilidade. Cautela e canja de galinha não faz mal para ninguém.
Para Moreira, a confissão do adolescente pode ser uma estratégia para retirar a responsabilidade de Bruno no crime. O delegado cogita a hipótese de viajar até o Rio de Janeiro para ouvir novamente o parente do jogador. Para isso, ele precisa de uma autorização judicial, pois a testemunha é menor de idade.
Em entrevista na semana passada, Bruno negou qualquer envolvimento no crime e disse torcer para que Eliza apareça. A polícia retomou nesta terça-feira buscas pelo corpo da jovem em uma lagoa da região metropolitana de Belo Horizonte e nada foi encontrado. As buscas foram realizadas na lagoa dos Tocos, no bairro da Liberdade, em Ribeirão das Neves. O local é próximo da lagoa Suja, onde a Polícia Civil encontrou uma fralda na última segunda-feira (5).