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publicado em 28/12/2009 às 06h00:

Mais de 15,6 mil menores de idade servem
o tráfico no Rio de Janeiro, diz instituto

Mapeamento exclusivo mostra que o número mais que dobrou em sete anos

Camila Ruback, do R7, no Rio

Mapeamento realizado pelo Ibiss (Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social) em favelas de 11 áreas de risco da região metropolitana do Rio de Janeiro indica que pelo menos 15.658 menores de 18 anos exercem alguma atividade remunerada para o tráfico de drogas na capital e na Baixada Fluminense. Desses, 1.444 têm menos de 12 anos; 8.583 são armados; e 900, mulheres. 

Em sete anos, o total de jovens envolvidos com o tráfico mais que dobrou. Em 2002, eles eram cerca de 7.000, segundo pesquisa da mesma entidade.

O levantamento, a que o R7 teve acesso com exclusividade, mostra ainda que muitos deles (4.198) começam a carreira aos oito anos, como "olheiros" ou "fogueteiros". Eles são os responsáveis por vigiar a favela e avisar aos criminosos sobre a chegada da polícia ou bando rival. Na hierarquia do tráfico, em seguida vem o "avião" (transporta drogas), o "soldado" (com direito a armas para possíveis confrontos), o "vapor" (controla a venda de drogas em um ponto), o "gerente" (controla pontos de venda de drogas), o "chefe" (coordena todo tráfico da favela) e o "chefe de facção" (coordena o tráfico de várias favelas).

A maior parte dos menores de idade entrevistados recebe cerca de R$ 300 por semana. Nas áreas analisadas não foi encontrado nenhum jovem com menos de 18 anos que se declarasse "chefe".

A Penha, bairro da zona norte que comporta as 12 violentas favelas do Complexo do Alemão, é a região que concentra o maior número de menores de idade que trabalham para o tráfico: 3.245. A região tem 2.495 menores de 18 anos armados, os "soldados". Desses, 158 são mulheres e 130 têm menos de 12 anos. Os não armados somam 750.

Cercada por 17 favelas e conhecida por "ilha da zona norte", a Tijuca está em segundo lugar com 2.286 adolescentes aliciados pelo crime. A metade possui armas.

A pesquisa revela também que os principais motivos para essas crianças e adolescentes se envolverem com o tráfico são status, aventura e dinheiro. Um dos menores que trabalha para o tráfico, mas também participa de atividades de recuperação em ONG's (Organizações Não Governamentais), contou à reportagem do R7 que é fácil ser aliciado pelo mundo das drogas.

- Quando a gente vai se tornando adolescente, começa a ter vaidade. Quer ser importante, ter roupa nova, tênis, cordão de ouro, mulher. Nossa realidade na favela é ser pobre e sofrer. Aí vem o tráfico de braços abertos e com todas as condições para o sonho acontecer. É muito difícil se segurar e é por isso que tem muita criança de sete, oito anos na fila para fazer algum serviço também.

Ex-soldados em ação
O mapeamento do Ibiss foi realizado no final de 2008 e atualizado em 2009. Cerca de 35 ex-soldados, como são chamados os jovens que abandonaram o crime após se engajarem em trabalhos sociais, foram até favelas de 11 áreas de risco da região metropolitana e entrevistaram essas crianças e adolescentes durante três meses.

O holandês Nanko Buuren, que fundou a instituição há 20 anos e desde então desenvolve ações de educação em saúde nos segmentos mais marginalizados do Rio, explicou que os ex-soldados não tiveram dificuldades para conseguir os depoimentos porque eles já conhecem as "leis" e a realidade dos moradores de favelas.

Os jovens pesquisadores ainda convenceram alguns adolescentes a também participarem de projetos de "resgate", como o "Soldado Nunca Mais". Realizado pelo Ibiss desde 2002, o programa já conseguiu retirar 1.432 menores de idade do mundo do tráfico por meio de estudo, trabalho e atividades de conscientização. Cerca de 5% voltaram para a criminalidade, e os demais foram matriculadas em escolas. Alguns já estão na universidade e a maioria desenvolve atividade social junto à ONG.

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