27 de Maio de 2012
Estrada de 286 km vai de BH a Rio Vermelho, com trechos de cenários distintos
O advogado André Bueno, de 34 anos, passa todo dia pela MG-010 a caminho do trabalho, na Cidade Administrativa, na região norte de Belo Horizonte. Vítima de acidente na rodovia, no início das obras dessa parte da Linha Verde, ele comemora o resultado do investimento de R$ 201 milhões no corredor de trânsito.
- Melhorou bastante. O tráfego passou a fluir melhor, com mais segurança.
Mas, questionado sobre outros trechos da MG-010, André se surpreende.
- Sempre achei que ela começava em BH e terminava no aeroporto de Confins.
André não sabe que a MG-010 vai muito além dos 18 km entre Belo Horizonte e o entroncamento de Lagoa Santa, na região metropolitana, onde se encontra com a LMG-800. Essa sim é a via de acesso ao aeroporto Internacional de Confins. A MG-010 tem 286 km, que passam pela serra do Espinhaço e vão até Rio Vermelho, na Bacia do Jequitinhonha.
O planejamento segmentado de uma mesma rodovia, priorizando trechos de maior volume de tráfego, como ocorre com a MG-010, é a principal causa da falta de conhecimento demonstrada por pessoas como André. A avaliação é do engenheiro civil Márcio Aguiar, que considera a via que liga BH a Rio Vermelho uma das principais rodovias do Estado.
Além de Belo Horizonte, Lagoa Santa e Rio Vermelho, a MG-010 passa em mais sete municípios (Vespasiano, Jaboticatubas, Santana do Riacho, Conceição do Mato Dentro, Serro, Santo Antônio do Itambé e Serra Azul de Minas) e dá acesso também a Alvorada de Minas.
O trecho entre o fim da avenida Cristiano Machado, em Belo Horizonte, e Lagoa Santa, ganhou uma menção do Banco Mundial em outubro do ano passado como referência internacional em segurança de tráfego. São duas a três faixas de rolamento em cada sentido, sem contar as vias marginais, quatro viadutos e nove passarelas. É equipada com radares fixos e móveis, posto de fiscalização da Polícia Militar Rodoviária, sinalização especial, divisor central de concreto para evitar colisões frontais, telas que impedem a travessia de pedestres e painéis eletrônicos com informações para os motoristas.
A realidade do outro extremo da MG-010, a partir de Rio Vermelho, é bem diferente. São 28 km até Serra Azul de Minas, com piso de terra estreito e esburacado, sinalização horizontal deficiente e nenhuma placa com o nome da rodovia. Motoristas convivem com fartos riscos: animais na pista, mata-burros precários e uma ponte de madeira em péssimas condições.
Passagem para carros e pedestres, a ponte teve a estrutura remendada com tábuas e o guarda-corpo tem apenas 30 centímetros de altura. Basta uma chuva fina para a poeira se transformar em atoleiro, tornando os morros escorregadios e perigosos.
Um segundo trecho da MG-010, entre Conceição do Mato Dentro e Serro, igualmente sem pavimentação, tem 58 km. Além dos ônibus de carreira e caminhões de mercadorias que trafegam entre as cidades e os povoados, a estrada recebe o tráfego intenso de veículos de mineradoras e de turismo.
Muitas pessoas buscam as riquezas naturais do Circuito dos Diamantes, a partir da Serra do Cipó até o parque Estadual do Pico do Itambé, cuja área abrange os municípios do Serro, de Santo Antônio do Itambé e de Serra Azul de Minas. Por causa do risco de acidentes, moradores do Serro se mobilizaram e já colheram 3.500 assinaturas cobrando o asfaltamento do trecho. O abaixo-assinado será enviado ao governador Antonio Augusto Anastasia em agosto.
O professor Aguiar destaca a necessidade de melhorias estruturais em toda a extensão da MG-010.
- A rodovia é muito importante, não só pela ligação de Belo Horizonte ao Aeroporto de Confins, mas também pelos acessos aos municípios do interior. Sua revitalização completa vai induzir o crescimento de toda a região.
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