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publicado em 10/05/2010 às 13h35:

Milícia já vende droga e divide favela
com facção do tráfico no Rio

Segundo delegado e parlamentar, grupos querem aumentar o lucro

Mario Hugo Monken, do R7 no Rio

Inimigos declarados em vários bairros da cidade do Rio de Janeiro, milicianos e traficantes já dividem uma mesma favela e fazem negócios entre eles, segundo informações obtidas pelo R7 junto a policiais, líderes comunitários e moradores de favelas.
 
A aproximação da milícia com o tráfico contraria a própria filosofia inicial dos grupos paramilitares que, ao expulsarem traficantes de várias comunidades, proibiram a venda de drogas e passaram a cobrar dos moradores e comerciantes taxas ilegais de segurança, além de explorar o transporte alternativo, distribuição de gás e de sinal de TV a cabo clandestina. As milícias são formadas, em sua maioria, por policiais, ex-policiais, agentes penitenciários e bombeiros.
 
A favela Vila Joaniza, na Ilha do Governador, na zona norte, é um exemplo da convivência pacífica entre os grupos criminosos. A comunidade, de acordo com agentes da delegacia do bairro (37ª DP), é controlada pela facção criminosa ligada ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Ao mesmo tempo, segundo relata um morador, há também a atuação de uma milícia que explora a venda ilegal de gás e a distribuição de sinal de TV a cabo clandestina, popularmente conhecida como gatonet.
 
Na comunidade, a milícia tem expulsado moradores para ficar com os imóveis. Dois meses atrás, uma moradora denunciou que o grupo paramilitar queria sua casa e acusou a quadrilha de matar sua filha por envenenamento. 

Em Campo Grande, na zona oeste, o delegado Fábio Barucke, disse ao R7 que a milícia ligada ao ex-policial militar Batman, atualmente preso, chegou a arrendar espaços nas comunidades do Barbante e da Carobinha para que traficantes pudessem vender drogas. Mas fizeram uma exigência: as bocas de fumo não poderiam ter armas.
 
A Carobinha foi "alugada" para criminosos da mesma facção criminosa que controla a favela da Rocinha, na zona sul, e o Barbante, para bandidos ligados a Beira-Mar.
 
Um líder comunitário, que preferiu não se identificar, disse que os milicianos possuem suas bocas de fumo próprias.
 
- Há favelas onde a população se rebela e não quer pagar a taxa de segurança. Com isso, a milícia paga algumas pessoas para venderem drogas, mas exige que não se usem armas.

Com medo de represálias, ele não citou as comunidades. Outro local onde há conluio entre milícia e tráfico é o bairro Honório Gurgel, na zona norte. Ali está localizada a favela da Palmeirinha, onde atua uma das maiores milícias do Rio.
 
Negócios conjuntos
 
Além de dividirem comunidades, milicianos e traficantes também fazem negócios. O titular da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais), Cláudio Ferraz, afirma que investiga possível relação entre as quadrilhas na distribuição de gás em favelas. Ele não adiantou em que área da cidade isso acontece, porque não concluiu o trabalho.
 
- Esse negócio de que a milícia combate o tráfico é apenas o discurso oficial. As quadrilhas visam o lucro.
 
A polícia tem informações também de que a milícia do Batman comprou fuzis de modelos antigos - como o AR-15 e o Rugger - de traficantes do complexo de favelas de Senador Camará, na zona oeste. A informação surgiu em depoimento de um suspeito preso.
 
Ao longo dos últimos três anos, a polícia apurou que os milicianos também venderam favelas aos traficantes. Uma delas, segundo o delegado Cláudio Ferraz, foi a comunidade Kelsons, na Penha, zona norte, hoje ocupada pela facção ligada a Beira-Mar.
 
A milícia chegou a pedir R$ 500 mil ao criminoso Fernandinho Guarabu, do morro do Dendê, na Ilha do Governador, na zona norte, para repassar a favela Boogie-Woogie, no mesmo bairro. O morro do Dezoito, em Quintino, na mesma região, foi outro a ser oferecido pelos grupos paramilitares ao tráfico.
 
Fonte de lucro
 
O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu no ano passado uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigou as milícias, disse que o elo entre os grupos paramilitares e os traficantes era uma questão de tempo.
 
- A milícia é um grupo criminoso e não um projeto ideológico. Os milicianos não eram contra o tráfico apenas por uma questão moral. Eles visam grana, vão onde tem mais dinheiro. Era uma questão de tempo ela trabalhar com outras fontes financeiras que não somente a van, o gás ou a TV a cabo. Nada impede que esses grupos se unam ao tráfico.
 
O relatório da CPI, concluído no ano passado, já mencionava que pequenas milícias no interior do Estado e na Baixada Fluminense vendiam drogas. Um dos locais seria no morro do Castelinho, em São João de Meriti, na Baixada, e outro em São Francisco do Itabapoana, no Norte Fluminense.

Procurada pelo R7, a Polícia Militar, que já expulsou 31 servidores este ano até o final de março por suposto envolvimento com milícias, não comentou o elo entre os traficantes e os grupos paramilitares.  A Secretaria de Segurança Pública também foi procurada e não deu retorno até a publicação desta reportagem.

 
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