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publicado em 24/01/2010 às 12h06:

Pacificação de comunidades e traficantes
fugidos da cadeia aumentam invasões

Bandidos procuram novas comunidades para chefiar

Mário Hugo Monken, do R7, no Rio

Em abril de 2009, os traficantes Matemático e Facão ganharam o direito de trabalhar fora do presídio. No primeiro dia do benefício, eles deixaram a cadeia e não voltaram. Um mês depois, comandaram uma invasão às favelas Vila dos Pinheiros e Vila do João, no complexo da Maré, na zona norte do Rio. O mesmo Matemático comandou outros dois ataques desde então, um na Vila Kennedy, na zona oeste, e outro na comunidade Buraco do Boi, em Niterói.

Já em outra facção, a ocupação das comunidades por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) somada a saída de traficantes da cadeia levou o grupo a promover uma série de invasões, que começou com o morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, passou pelos morros dos Macacos, em Vila Isabel e da Formiga, na Tijuca, e mais recentemente na Serrinha, em Madureira, todas na zona norte.

A facção busca redutos para que os líderes que estavam presos possam assumir o controle das bocas de fumo e para abrigar os aliados que fugiram após a ocupação da UPP. A maioria dos foragidos e dos refugiados encontra-se escondida nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte.

Segundo policiais, o principal organizador dos bondes desta facção, o traficante conhecido como Fabiano ou FB, não é dono de nenhuma favela e busca um reduto para chefiar.

Estratégia da polícia

Assim como os traficantes possuem suas regras para atacarem as comunidades rivais, a polícia também tem sua estratégia para ocupar as favelas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

Além da presença do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) que faz uma varredura inicial na comunidade, a implantação da UPP passa também por uma série de regras, de acordo com fontes da corporação.

Antes de ocupar a comunidade, a polícia levanta o número de traficantes e armas que ela possui, o nome do líder e dos principais gerentes da quadrilha. Procura saber quem são os líderes comunitários e se estes são receptivos aos policiais.

Mapeia todos os pontos de venda de drogas, as possíveis rotas de fuga e onde ficam as barricadas construídas pelos traficantes para impedir operações e a contenção armada. Apura também para quais comunidades a quadrilha poderá migrar com a ocupação. Além disso, calcula o número necessário de PMs para a implantação da unidade, levando em conta a relação PM/habitante por km 2.

 
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