Foto: Paulo Vitor/Agência Estado/AEManifestantes caminham da Candelária até a Cinelândia, no Centro do Rio
Governador acompanha manifestação dentro de “cordão vip”
Xuxa causa alvoroço na Cinelândia
Leia o que disseram as celebridades
Ana Botafogo, ex-primeira bailarina do Theatro Municipal:
- Temos de abraçar essa ideia do governador. Não podemos deixar passar em branco essa decisão importante que afeta, inclusive, às nossas ambições para as Olímpiadas.
Carla Camurati, cineasta e presidente da Fundação Theatro Municipal:
- Essa atitude é típica de ano eleitoral. O Rio de Janeiro vive um momento de equilíbrio fiscal e a retirada desse dinheiro vai gerar um desequilíbrio. Se em Salvador (BA) fosse descoberta alguma riqueza, eu não ia querer que viesse pra cá. Defendo a manutenção das regras para os royalties não como carioca, mas sim como brasileira.
Adriana Scorzelli Rattes, secretária de Cultura do Rio:
- Não estou aqui para defender a Cultura e sim para defender o Rio de Janeiro. Essa medida irá prejudicar a Educação, a Segurança e os aposentados. Estão querendo colocar o Brasil contra o Rio, quando só estamos lutando a favor de nossos interesses.
Mais de 150 mil pessoas fazem passeata da Candelária até a Cinelândia, no Centro da capital fluminense. Na Cinelândia está montado um palco onde políticos farão discursos e artistas se apresentarão.
Caixão e xingamentos
O deputado Ibsen Pinheiro, autor da emenda que propõe redistribuir os royalties do petróleo, ganhou um caixão, que será levado pelas ruas do Centro do Rio, um boneco de Judas e é xingado pelas pessoas que estão na Candelária, local da concentração para a passeata "Contra a Covardia! Em Defesa do Rio!".
A reportagem do R7 procura o deputado Ibsen Pinheiro para que ele se manifeste sobre o protesto. Até as 17h10, a reportagem não havia conseguido contato com o parlamentar.
Políticos começam a discursar e já é grande a participação de pessoas ligadas aos partidos políticos, movimentos religiosos e organizações como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Jovens distribuem bandeiras do Rio de Janeiro e fazem pintura nas cores azul e branca (cores do Estado) nos rostos de quem chega ao local da concentração, na Candelária.
Ponto facultativo
O Estado e o município do Rio decretaram ponto facultativo nas repartições públicas a partir das 15h desta quarta-feira. Em municípios mais distantes da capital, como Campos, por exemplo, o ponto facultativo será integral para que os servidores possam viajar para a manifestação.
Trânsito alterado
A CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego) montou um esquema especial de trânsito. Painéis de mensagens variáveis, posicionados em vários pontos da cidade, orientarão os motoristas em relação às interdições e ao evento. Além disso, 280 agentes da Guarda Municipal e 50 agentes de tráfego da CET-Rio vão atuar na região.
A partir das 14h, será interditada a pista lateral da avenida Presidente Vargas, sentido Centro, no trecho entre a avenida Passos e rua Uruguaiana, e entre a rua Uruguaiana e a avenida Rio Branco.
A partir das 15h, todo o eixo e transversais da avenida Rio Branco estarão interditadas ao tráfego de veículos, no trecho entre a rua Visconde de Inhaúma e a avenida Presidente Wilson, assim como o entorno da Candelária e a alça de acesso da avenida Perimetral para a avenida Presidente Vargas.
A avenida Marechal Floriano também será interditada ao tráfego de veículos, no sentido para a avenida Rio Branco, inclusive com proibição de estacionamento em todo o perímetro a partir das 5h.
Polêmica
A emenda aprovada pela Câmara dos Deputados diminui a receita dos Estados produtores de petróleo: São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
No Rio, o prejuízo será de cerca de R$ 2 bilhões para os municípios e R$ 5 bilhões para o Estado. Segundo o governador Sérgio Cabral, a mudança vai parar o Estado, que não terá mais recursos para investir em educação, saneamento, entre outras áreas que são beneficiadas pela verba proveniente dos royalties.
- Saem R$ 5 bilhões do Estado e eles têm que ser repostos. Nós vamos perder mais do que tudo que o Estado investiu em 2009, que foi cerca de R$ 4 bilhões. Tirou esse recurso, acaba o investimento. Acabou tudo. Não é exagero, não. O Estado para.
O caso ainda terá que passar por aprovação do Senado e do presidente Lula. A última alternativa é o Supremo Tribunal Federal.