Os cerca de 250 policiais militares que ocupavam a Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, deixaram o local de forma pacífica por volta de 7h30 desta quinta-feira (9), segundo a SSP
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Policiais militares do Estado da Bahia que estão em greve desde o dia 31 de janeiro decidiram continuar a paralisação em assembleia realizada por volta das 10h45 desta quinta-feira (9), na sede do Sindicato dos Bancários, em Salvador. No início desta manhã, eles deixaram o prédio da Assembleia Legislativa que ocupavam desde o início do movimento. A ação foi uma forma de protesto contra a falta de negociação com o governo.
A saída do edifício foi pacífica e não houve confrontos. O principal líder do movimento, Marcos Prisco, foi preso durante a desocupação. Ele foi encaminhado de helicóptero para as instalações da Polícia do Exército na capital baiana. Além dele, foi detido Antônio Paulo Angelini.
Outro mandado de prisão foi cumprido no fim da tarde desta quarta-feira (8), segundo a Secretaria de Segurança Pública. A soldado Jeane Batista de Souza, do Batalhão de Guardas da PM, foi presa acusada de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas). Os outros dois sargentos detidos anteriormente foram Alvin dos Santos Silva, preso no domingo (5), e Elias Alves de Santana, detido na terça-feira (7). Todos estão no quartel do Exército na capital.
O efetivo de militares que cercava a Assembleia no início da manhã era de cerca de 1.550. De acordo com o tenente-coronel Márcio Gilberto Barbosa da Cunha, houve um reforço no número de homens com o objetivo de “aumentar a segurança e tranquilidade no local”. Ele também negou que o Exército planejasse invadir a Assembleia.
Acordo
Na terça-feira (7), o governador do Estado, Jaques Wagner, e os líderes do movimento grevista ficaram cerca de sete horas reunidos para decidir o fim da paralisação, mas não houve acordo.
Wagner se reuniu com representantes da Polícia Militar para apresentar propostas, como o aumento de 6,5% nos salários, e mais uma gratificação por trabalho policial gradativa até 2014. Os PMs não concordaram.
Carnaval
O nono dia de greve da Polícia Militar, completado nesta quinta-feira, dá a dimensão do caos na Bahia. Faltando uma semana para o Carnaval em Salvador (BA), os donos dos grandes blocos e camarotes já contabilizam os prejuízos. Pelo menos 70 eventos pré-Carnaval já foram cancelados. Hotéis calculam que 10% dos turistas que ficariam hospedados desistiram da viagem.
Apesar da incerteza sobre a realização dos eventos que celebram o feriado, as estruturas de arquibancadas e camarotes estão sendo montadas para receber cerca de 2 milhões de pessoas.
Aumento da violência
O número de homicídios registrados no Estado da Bahia desde que policiais militares decretaram greve, na noite do dia 31 de janeiro, chegou a 136 na quarta-feira. De acordo com o boletim da Secretaria de Segurança Pública, atualizado às 19h15, sete pessoas foram assassinadas só nesta quarta. O dia mais crítico foi sexta-feira (3), quando 32 homicídios foram registrados.
Na comparação com os oito dias que antecederam a decretação da greve, o número cresceu 147%. Entre os dias 24 de janeiro e a noite do dia 31, 55 pessoas foram assassinadas no Estado.