Delegado afirma que relato de cinco páginas é denúncia anônima
A Polícia Civil de Minas Gerais, que investiga o desaparecimento de Eliza Samudio, 25 anos, ex-amante do goleiro suspenso do Flamengo, Bruno Fernandes, afirmou na sexta-feira (16) que a carta entregue à Rede Record Minas por uma mulher que diz ter tomado conta de Eliza e do bebê, no início de junho, antes dela ser morta, não altera o rumo das investigações.
Para o delegado Edson Moreira, mesmo com riqueza de detalhes e coincidências com relatos de outros suspeitos, o documento não tem valor legal.
- É apenas uma denúncia anônima. Não vai mudar as investigações.
Assista ao vídeo:
O documento de cinco páginas foi entregue à Polícia Civil no início da tarde de sexta-feira. Nele, uma mulher diz ter cuidado do bebê de Eliza durante o período em que ela ficou aprisionada em um quarto do sítio do jogador, em Esmeraldas (MG). A suposta testemunha diz que viu Eliza machucada e que teria sido ameaçada de morte caso relatasse o que viu.
A carta foi entregue à Rede Record quinta-feira (15) após uma ligação da mulher. Ela chegou a agendar uma entrevista com a reportagem, mas não apareceu.
A maioria das informações coincide com as investigações feitas até o momento. A suposta testemunha diz que recebeu a tarefa de cuidar da criança após uma pessoa chamada por ela de Júnior agredir Eliza, que ameaçou “contar tudo à polícia”.
Mais tarde, segundo a testemunha, Bruno chegou ao sítio, onde foi surpreendido com a presença de Eliza. Na carta da suposta testemunha, o goleiro disse que a ex-amante teria feito “m... demais” na sua vida. Ele teria chamado um táxi e ido embora, deixando Eliza no sítio.
Suposta testemunha cita outro nome para assassino de Eliza
Na carta enviada à Rede Record, a suposta testemunha diz que o ex-policial que matou Eliza se chama Emerson, e não Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que está preso na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (MG).
- Foi então que já era noite quando um carro Siena preto chegou no sítio e entrou um homem magro, careca, negro, chamado Emérson [sic]. O Macarrão chamava ele de Neném. Ele foi ao encontro de Eliza e perguntou: quanto você quer para ficar calada?Segundo a carta, Eliza pediu “R$ 50 mil e um apartamento” próximo ao de Bruno. Ainda segundo a suposta testemunha, a ex-modelo ligou para uma amiga, dizendo que estava conseguindo o que havia planejado.
- Quando ela desligou o celular (...) Neném agarrou seus cabelos e bateu nela com muitos chutes e socos. O nariz dela começou a sangrar e eles mandaram que eu cuidasse dela.
Mulher diz ter sido ameaçada
A mulher conta na carta que, no dia seguinte, Neném deu a ela R$ 5 mil e a mandou “sumir”, e que se abrisse “a boca, estava morta”. Ela conta que Dayanne, a mulher de Bruno, chegou mais tarde ao sítio acompanhada de uma outra pessoa e pegou a criança.
- Eliza começou a chorar. Queria fugir pela janela. Eles pegaram ela, amarraram ela e saíram no Siena preto. Neném, Eliza, Macarrão, Sérgio [primo de Bruno] e um homem que dirigia o carro.
A suposta testemunha diz que uma pessoa chamada Vitor mandou que ela arrumasse toda a casa antes de ir embora.
- No outro dia um carro cinza me levou para uma casa num lugar muito longe. Quando eu cheguei, lá estava Eliza, muito machucada, sem dois dentes da frente, com a roupa rasgada, chorando muito. Ela me pediu água. Perguntei a ela quem tinha feito aquilo.
Segundo a testemunha, Eliza afirmou que teria sido Neném. A jovem disse ainda que seria morta e pediu para ser salva.