Polícia diz que final de semana não terá depoimentos nem buscas no caso Eliza
Delegados devem se concentrar na leitura e elaboração do inquérito
Do R7
Texto:
Foto Eugenio Moraes/Jornal Hoje em Dia
Macarrão, amigo de Bruno, chega ao Departamento de Investigações de Belo Horizonte onde é interrogado pela polícia
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A Polícia Civil de Minas Gerais informou, no início da noite de sexta-feira (16), que não deve colher depoimentos durante o final de semana nos envolvidos no desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Policiais também não devem fazer buscas por Eliza no sábado (17) e no domingo (18).
No final de semana, segundo a assessoria da polícia, os delegados Edson Moreira, Ana Maria dos Santos e Alessandra Wilke vão se “debruçar em cima do inquérito que envolve o goleiro Bruno”.
Na sexta-feira, o delegado Edson Moreira afirmou em coletiva que a investigação sobre o desaparecimento de Eliza Samudio está no final.
– Estamos na fase final cruzando os últimos depoimentos com as provas levantadas.
Em entrevista coletiva na tarde de sexta-feira (16), a delegada Alessandra Wilke, da Delegacia de Homicídios de Contagem, confirmou a participação de uma amante do goleiro Bruno no seqüestro de Eliza Samudio e de seu filho, na época com quatro meses.
De acordo com Alessandra, no dia 4 de junho, após ser sequestrada no flat onde estava hospedada com o filho, Eliza foi levada para a casa do goleiro no Recreio, zona oeste do Rio de Janeiro. Lá estavam o jogador e sua amante, Fernanda Gomes Castro. A mulher teria ficado responsável por cuidar do bebê na ausência da mãe.
A versão da polícia aponta que Eliza, o bebê, Macarrão, o adolescente de 17 anos – primo do jogador -, Bruno e Fernanda seguiram no dia seguinte para o sítio do goleiro em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte. No caminho, eles pararam em Contagem, onde passaram a noite em um motel.
Segundo Alessandra, Fernanda será chamada para prestar depoimento “em um momento oportuno”.
A polícia do Rio de Janeiro já intimou a suposta amante do goleiro para prestar depoimento e fez um pedido de prisão à Justiça. A mulher, no entanto, não compareceu à delegacia e passou a tarde internada no setor de emergência em um hospital em Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
De acordo com funcionários do hospital, Fernanda estava com uma crise na vesícula, com dores e vômito. Ela chegou por volta das 11h à unidade e saiu às 17h30.
Na mesma coletiva, o delegado Edson Moreira disse que estão ocorrendo “algumas tentativas” de desqualificar as testemunhas do caso Eliza Samudio.
Moreira afirmou que os depoimentos do adolescente de 17 anos, primo do goleiro suspenso do Flamengo Bruno Fernandes, e de Sérgio Rosa Sales, o Camelo, são “contundentes” e têm lastro. Um exemplo dessa veracidade, de acordo com Moreira, é o trajeto descrito pelas testemunhas, que foi feito pelos algozes de Eliza do sítio até o local do assassinato.
Liberdade negada
A Justiça de Minas Gerais voltou a negar liberdade para Bruno. Desta vez, a juíza Marixa Fabiane Lopes indeferiu o pedido feito por um amigo do jogador chamado João Carlos Augusto Melo. A solicitação chegou ao tribunal por meio de e-mail.
A juíza Marixa Fabiane Lopes também negou na sexta-feira um habeas corpus pedido para o primo do jogador Sérgio Rosa Sales, conhecido também como Camelo.
Nova versão
Camelo disse à polícia na quinta-feira (15) ter mentido no primeiro depoimento, segundo documento anexado ao inquérito do caso. Na primeira vez que prestou depoimento, Sales afirmou que Bruno viu Eliza ser executado. Agora, ele afirma que Bruno não viu o assassinato.
"Antes, doutor [referência ao delegado Edson Moreira, que tomou o depoimento], eu menti para o senhor", disse Sales, segundo o depoimento, sem justificar o porquê de ter feito isso em seu depoimento na semana passada.
Interrogatórios
A polícia interrogou, na sexta-feira, o amigo de Bruno, Macarrão, e a ex-mulher do goleiro Dayanne Rodrigues do Carmo Souza. Instruídos por seu advogado, Ércio Quaresma, nenhum dos dois suspeitos respondeu às perguntas feitas pela polícia.