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publicado em 30/04/2010 às 17h39: atualizado em: 29/04/2010 às 18h01

Polícia pede prisão de procuradora
suspeita de agredir filha adotiva

Inquérito está sendo concluído nesta sexta-feira e irá para Ministério Público

do R7, no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu o inquérito e pediu ao Ministério Público nesta sexta-feira (30) a prisão preventiva da procuradora de Justiça aposentada Vera Lúcia Sant'Anna, suspeita de agredir a filha adotiva de dois anos. Ela foi indiciada pelo crime de tortura qualificada e racismo nesta quinta-feira (29). A informação é da titular da delegacia de Copacabana, Monique Vidal. A delegada enviará ainda esta noite o pedido à Promotoria.

Vera Lúcia prestou depoimento na 13ª Delegacia de Polícia (Ipanema) nesta quinta-feira (29). Para a delegada Monique Vidal, titular da DP, não há dúvida de que a procuradora aposentada tenha cometido as agressões contra a criança. Ela admitiu a hipótese de o Ministério Público analisar o inquérito e o pedido de prisão somente na segunda-feira (3), por causa do horário de encaminhamento dos documentos.

Em seu depoimento, a procuradora negou as agressões e disse que somente chamou a filha de “cachorrinha” porque tem amor ao bicho. O crime de tortura qualificada tem pena de dois a oito anos de prisão – acrescido de um terço ou um sexto da pena -, mas segundo ela, a pena pode ser aumentada após a divulgação de um novo laudo, que deve ficar pronto daqui a 30 dias.

- As agressões foram gravíssimas. Eu não mostrei as fotos porque as pessoas não merecem.

Ao sair da delegacia, a procuradora foi agredida na cabeça com um guarda-chuva por um grupo de mulheres que protestavam contra ela. Ela foi xingada de "cachorra" e "covarde". Por conta do tumulto, ela saiu da delegacia acompanhada de seu advogado, sem falar com a imprensa.

Segundo um policial, as imagens mostram vários hematomas na menina. De acordo com a delegada, a procuradora também foi indiciada pelo crime de racismo, por tratar mal suas empregadas e, por isso, pode pegar pena de um a três anos.

- A procuradora se referia às empregadas como “fazendo comida de preto e serviço de preto”.

A menina agredida deverá ser ouvida no próximo dia 4 de maio na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.
O advogado da procuradora, Jair Leite Pereira, disse acreditar que a delegada se precipitou ao indiciar sua cliente por tortura e racismo, além do pedido de prisão.

- Vou esperar o Ministério Público corrigir isso. Ela [delegada] está extrapolando suas funções. Não tem por que pedir a prisão de uma procuradora da Justiça, com residência fixa e que não atrapalhou no inquérito.

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