Foto por Danielle Viana/AELuiz Firmino Martins Pereira diz que não dá para ser radical e proibir construções
O Inea, criado no ano passado pelo governo Sérgio Cabral, é um dos órgãos responsáveis pela fiscalização nas áreas de preservação de Angra dos Reis, mas divide a atribuição com a prefeitura.
- Eu acho que a fiscalização pode ser intensificada, mas por muitas vezes é difícil porque você tem um contingente da população muito grande sem acesso a moradias. Não é uma coisa simples de controlar do ponto de vista da mera fiscalização, é preciso uma política de habitação.
O vice-prefeito de Angra dos Reis, Essiomar Gomes (PP), nega que haja falhas ao fiscalizar obras irregulares em regiões de encosta e diz que as construções na região só são liberadas após todas as licenças necessárias.
Pereira concorda com a defesa de Cabral por uma revisão na política de ocupação de solo em todo o país. Ao chegar a Angra dos Reis neste sábado (2), o governador afirmou que não adianta fazer demagogia e permitir construções de moradias em áreas de encostas e margens de rios para depois acontecer tragédias como a de Angra.
O presidente do órgão ambietal negou que o decreto 41.921/09, assinado por Cabral em junho do ano passado, permita uma maior ocupação de áreas de preservação na Ilha Grande. Segundo ele, a intenção do decreto é justamente regulamentar esta ocupação.- Esse decreto não permite nenhuma construção em encosta. A única coisa que ele muda é, no caso das zonas de conservação da vida silvestre, não havendo mais a vegetação original, você pode fazer a ocupação de no máximo 10% com a obrigação de recompor os outros 90% da área. Se por ventura ela já estiver degradada, você tem a obrigação de recompor. E isso ainda sujeito às licenças ambientais.
O decreto, no entanto, tem gerado protestos do Comitê de Defesa da Ilha Grande, que iniciou um abaixo-assinado pela revogação da mudança autorizada por Cabral. Um projeto de decreto legislativo na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) também tenta derrubar a medida adotada pelo governador.
O presidente do Inea, no entanto, é contra a proibição total da ocupação na região e diz que as construções são necessárias para que a população local sobreviva.
- Você dizer que ninguém pode construir nada é complicado, é simplesmente ir contra a realidade. Precisamos encontrar um desenvolvimento sustentável, se não faço isso a população vai sobreviver do que? Por isso a maior área ali é parque, não pode fazer nada, mas tem uma franja em que a pessoa pode fazer um projeto desde que respeite as taxas de ocupação. De nada adianta fazer parque se não houver uma estrutura mínima para visitação.
