Justiça decretou internação provisória de 45 dias para o menor nesta terça-feira (13)
Ana Letícia Leão, enviada do R7 a Belo Horizonte
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O adolescente de 17 anos, primo do goleiro do Flamengo suspenso, Bruno Fernandes, suspeito de participar do assassinato de Eliza Samudio começou a prestar depoimento no final da manhã desta quarta-feira (14) para a chefe da Divisão de Homicídios de Contagem (MG), Ana Maria Santos. O depoimento não havia sido concluído até as 13h15, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil de Minas Gerais.
O Ministério Público entrou com uma representação contra o menor por sequestro, homicídio e ocultação do cadáver de Eliza, ex-amante de Bruno. A informação foi confirmada pelo promotor de Justiça Leonardo Barreto Moreira Alves, que acompanhou o depoimento do menor nesta terça-feira (13).
De acordo com ele, a defesa tem três dias para recorrer da representação. Se pegar o prazo máximo da medida sócioeducativa, o adolescente poderá ficar até três anos internado.
A Justiça de Minas Gerais já decretou a internação provisória de 45 dias para o menor, que ficará no Centro de Internação Provisória no bairro Horto, zona leste de Belo Horizonte (MG). Dentro deste período, uma audiência de instrução deverá ser marcada e o juiz dará uma sentença para o adolescente.
O membro do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) Ariel de Castro Alves explica que, na área da infância e juventude, a representação é equivalente à denúncia contra um adulto feita na área criminal. Assim, a medida socioeducativa funciona como a chamada “pena”.
- O menor não fica impune. Ele é responsabilizado, mas isso é feito com base no Estatuto da Infância e do Adolescente.
Para Alves, o fato de o adolescente ter colaborado com as investigações poderá ajudá-lo a ter a medida socioeducativa amenizada nas avaliações que são feitas a cada seis meses durante a sua internação.
- Ele está contribuindo com a Justiça. Se não fosse ele, haveria uma dificuldade grande para os fatos serem esclarecidos. Além de ser um dos acusados como coautor do crime, ele é uma testemunha-chave.
Alves ressalta ainda que existe uma preocupação com a segurança do adolescente que causou uma reviravolta no caso denunciando pessoas envolvidas no crime.
- Ele tem que ser protegido. Essa é a nossa preocupação. O Estado é obrigado a garantir a proteção.
Depoimento
O adolescente, que foi ouvido sem a presença dos pais ou de um responsável durante uma audiência de apresentação no Juizado da Infância e Juventude de Belo Horizonte, voltou a afirmar que Bruno não estava presente no momento em que sua ex-amante Eliza, de 25 anos, foi assassinada.
Segundo o promotor Leonardo Barreto Moreira Alves, o menor afirmou que o goleiro esteve no sítio em Esmeraldas para um churrasco no mesmo dia em que Eliza foi morta. No entanto, ele nega a versão dada por outro primo do jogador, Sérgio Camelo, de que ele teria presenciado o assassinato. De acordo com ele, Bruno "ficou estarrecido e assustado porque não queria isso [morte de Eliza]".
O adolescente também confirmou a participação de Macarrão no assassinato de Eliza. De acordo com ele, o amigo de Bruno amarrou as mãos da jovem para que ela fosse estrangulada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.
Ele voltou a afirmar que estava no local onde Eliza foi assassinada, mas disse que pediram para ele sair no momento em que o crime foi cometido. Segundo o menor, a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, ficou responsável por ficar com o filho da vítima, na época com quatro meses de idade.
O adolescente disse ainda que foi chamado por Macarrão para "dar um susto em Eliza" no dia em que a jovem foi sequestrada, e que não tinha dimensão de que rumo a situação iria tomar.