27 de Maio de 2012
Declarações de Sérgio Sales contradizem o que ele afirmou anteriormente à polícia
O depoimento dele foi o primeiro do terceiro dia de interrogatórios realizados no fórum de Contagem pela juíza Marixa Fabiane Lopes. As declarações desta quarta contradizem o que Sales contou à policia em depoimentos anteriores, quando relatou que a jovem fora mantida trancada dentro de um quarto e que estava ferida na cabeça.
Para a juíza, o réu disse que foi pressionado pela polícia e agredido pelo delegado Júlio Wilke para mentir. Ele contou que parte da história que relatou anteriormente foi fruto de sua própria imaginação. Em outro depoimento, Sales disse que havia sido torturado pelo delegado Edson Moreira. A Polícia Civil de Minas Gerais nega as agressões e afirma que Sérgio Rosa Sales estava acompanhado de um defensor durante as oitivas.
O acusado confirmou parte do segundo depoimento, no qual disse que Bruno não entrou na EcoSport com o amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e o menor de idade, no dia em que supostamente Eliza foi assassinada. Segundo Sales, o goleiro ficou no sítio e não foi com Eliza até a casa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.Ainda faltam ser ouvidos o goleiro, Macarrão, Bola e a ex-amante Fernanda Gomes de Castro. Como o depoimento de Sales não havia terminado até as 15h desta quarta, é possível que o interrogatório dos outros réus fique para quinta-feira (11).
De acordo com o TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), a juíza começou a sessão por volta de 9h30. O primo de Bruno responde por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e corrupção de menor.
Para esta quarta-feira, também estava marcado no Tribunal do Júri de Santos, em São Paulo, o depoimento de uma testemunha da acusação. No dia 17 deste mês, deverá prestar depoimento, em Osasco (Grande São Paulo), outra testemunha, desta vez, a pedido da defesa de Flávio Caetano Araújo, motorista do goleiro, um dos acusados do crime.
Motorista e Coxinha
Na terça-feira (9), foram ouvidos Flávio e o amigo do goleiro Wemerson Souza, conhecido como Coxinha. Este último disse à juíza Marixa que sabia quem Eliza Samudio era, mas que não a conhecia pessoalmente. A informação contradiz com o que ele contou à polícia no início das investigações. O acusado ainda afirmou conhecer o filho de Eliza e disse ter visto a criança com Bruno em uma partida de futebol.
O caseiro do sítio do goleiro, Elenilson Vítor da Silva, outro acusado de envolvimento na morte de Eliza Samudio, também deu informações diferentes das que já havia relatado. À polícia, ele afirmou ter visto Eliza chegar ao sítio. Nesta segunda-feira (8), entretanto, ele negou a informação, dizendo que não a viu porque estava jogando futebol.
Também na segunda-feira, uma carta escrita pela ex-mulher de Bruno, Dayanne Souza, foi entregue à juíza durante o depoimento. De acordo com o documento, o filho de Eliza só não foi morto porque estava sob os cuidados dela. Na carta, ela também revela que o atleta tinha antipatia pelo bebê, que seria seu filho com Eliza, desaparecida desde junho passado.
A ex-mulher também escreveu que, quando estava foragido, Bruno fez uma reunião com a família, chorou e disse que seria preso. O documento será anexado aos autos do processo.
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