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publicado em 07/07/2010 às 19h39:

Promotoria denuncia Bruno e Macarrão por
sequestro e pede prisão preventiva de ambos

Eles são suspeitos de manter Eliza em cárcere privado, de agredi-la e obrigá-la a abortar

Do R7, no Rio

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou nesta quarta-feira (7) o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, e o amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, pelos crimes de sequestro ou cárcere privado; e de lesão corporal. A Promotoria também encaminhou à Justiça um pedido de prisão preventiva contra ambos. De acordo com o promotor Alexandre Murilo Graça, da 17ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos, em outubro de 2009 os dois sequestraram Eliza Samudio, que estava grávida, e tentaram forçá-la a fazer um aborto. A jovem está desaparecida desde o início do mês de junho e amostras de sangue dela foram encontradas no carro de Bruno.

O goleiro e o amigo estão presos após se entregarem no final da tarde desta quarta-feira à Polinter, divisão de capturas. Ambos foram encaminhados à Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, na noite desta quarta. 

Se a denúncia for recebida pelo Juízo da Vara Criminal de Jacarepaguá, Bruno e Macarrão responderão um processo por esses crimes. Pelo crime de sequestro e cárcere privado, agravado pelos maus-tratos cometidos contra a vítima, eles podem ser condenados a dois e a oito anos de prisão. Se forem condenados por lesão corporal, a pena será de três meses a um ano.

Na manhã desta quarta, a Justiça decretou, a pedido do Ministério Público, a prisão temporária de Bruno e Macarrão, por cinco dias. Em Minas Gerais, onde ocorreu o desaparecimento. A medida foi tomada em função da suspeita de envolvimento deles no desaparecimento da jovem. O pedido de prisão temporária foi pedido no fim da noite da última terça-feira (6).                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

A denúncia relata que Eliza estava grávida de cinco meses do filho cuja paternidade é atribuída a Bruno. No dia 13 de outubro, por volta das 2h, o goleiro a atraiu para o interior de seu carro, em Jacarepaguá, na zona oeste da capital. Ao entrar no veículo, ela foi surpreendida por Macarrão e outros dois homens não identificados.

Tendo se recusado a fazer o aborto, Eliza foi sequestrada e passou a ser agredida pelos quatro. Ainda no carro, Bruno deu tapas no rosto da mulher, o que resultou em lesões corporais descritas em laudo do IML (Instituto Médico Legal). Ele também apontou uma arma de fogo para a jovem, enquanto os demais a ofendiam, ameaçavam de morte, maltratavam e a impediam de desembarcar.

Por volta das 3h30, os dois denunciados e os dois outros suspeitos levaram Eliza para a casa de Bruno, na Barra, onde a forçaram a ingerir um líquido e comprimidos com substâncias que entendiam ser abortivas.

A denúncia diz que “a vítima foi mantida no local, contra a vontade, até o dia seguinte, quando os denunciados, acreditando que o aborto logo se realizaria, liberaram-na. Ocorre que as substâncias que lhe foram ministradas não eram aptas a produzir o resultado. Durante todo o tempo em que detiveram a vítima, os denunciados e os outros dois elementos fizeram várias ameaças e ofensas, causando-lhe sofrimento moral”.

Os crimes foram investigados pela Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher). As investigações prosseguirão para identificar os outros dois suspeitos das agressões e do sequestro. A Promotoria pediu à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos aparelhos utilizados por Bruno e Macarrão nos dias 12 e 13 de outubro. Também cópia dos depoimentos colhidos em Contagem (MG) e na Divisão de Homicídios do Rio sobre o desaparecimento de Elisa. O promotor lembra do histórico violento de Bruno.

- Os elementos dos autos demonstram que o primeiro denunciado tem personalidade distorcida, sempre agindo com brutalidade e acompanhado de seguranças. Inclusive, todos nós sabemos das declarações dadas pelo denunciado nos jornais, indicando que se trata de pessoa que não se importa em utilizar de violência física, principalmente contra mulheres.


 
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