Cerca de 160 devem atuar como "policiais" durante mundial na cidade
Ao lado dos veteranos do canil, os cachorros, que nasceram na segunda-feira (19), farão o policiamento de todo o Estado e auxiliarão em missões do Bope (Batalhão de Operações Especiais). Os cachorros da PM também são solicitados nas ações de ocupação de comunidades pacificadas, segundo o comandante do CIPM, tenente-coronel Marcelo Nogueira.
- Para a Copa do Brasil, nós pretendemos preparar 160 cachorros, o que será facilitado com a nossa mudança de sede. Vamos ganhar um espaço maior na mesma área que abrigará o Bope, o Grupamento Aeromaritimo e o Grupamento de Socorro e Emergência, em Ramos, na zona norte do Rio -
Há 55 anos, o canil da polícia tem a missão de transformar animais domésticos em peritos criminais. O primeiro passo no adestramento é a obediência. Os cães precisam conhecer os comandos de seus treinadores sem hesitação, permitindo com que o policial controle a força que o cachorro pode usar em situações de perigo. A resistência e a agilidade também são pré-requisitos na formação do “agente especial”. O olfato apurado, cerca de 50 vezes mais sensível do que do homem, é uma arma que o cachorro policial já carrega na genética, e é o que faz a diferença nas ações. Por isso, é testado diariamente, assim como seus movimentos.
- O treinamento acontece durante o serviço nas ruas e dentro do próprio quartel. A avaliação do adestramento do cão sempre é feita. Ele precisa estar preparado para atuar nos trabalhos de faro, demonstração, policiamento e choque. Por exemplo, no trabalho de faro, o cachorro é fundamental. Nós, seres humanos, temos em torno de dez milhões de células olfativas. O cão labrador tem cerca de 250 milhões. É uma ferramenta técnica que temos muito positiva, seja na busca por drogas ou pessoas perdidas. Nos treinamentos, a busca por drogas e explosivos acontece com a ajuda de uma bolinha de brinquedo, onde colocamos o odor. Não usamos drogas no adestramento.
Para manter o ritmo durante as seis horas de trabalho, eles têm uma refeição balanceada. Afinal, são responsáveis também pela segurança dos policiais. Precisam estar sempre alertas para evitar emboscadas ou atentados contra seus condutores. Para os cachorros, as ações policiais e os treinamentos são brincadeiras. Estão sempre em busca de seus brinquedos. O tratamento especial não é restrito aos oito anos no qual trabalham na Polícia Militar. Depois de serem avaliados, são enviados para a reserva remunerada e são adotados por seus condutores.
- Durante a vida como policiais, os cachorros recebem tratamento especial. Eles são avaliados até os 45 dias de vida. Depois de adestrados, antes de ir para uma operação, passam por veterinários e são preparados para sair do batalhão limpos e escovados. O mesmo processo acontece em seu regresso. Quando os cães recebem suas “aposentadorias”, ganham também um novo lar, geralmente dos policiais que os acompanham.
Aposentadoria com honras
Tratar com carinho o animal é o segredo segundo o sargento Paulo Brito. Há 15 anos, o PM trabalha ao lado de cães como Mike, que se aposentou com honras depois de ter encontrado a ossada do jornalista Tim Lopes, em 2002. Na Companhia com Cães - que possui pelotões destacados em São Gonçalo, Nova Friburgo, Niterói e Campos dos Goytacazes - o policial aprendeu a respeitar ainda mais os animais.
Depois de contar com o companheirismo de quatro cães, ele prepara Iran, um pastor alemão, de dez meses, que terá a missão de demonstrar suas habilidades policiais em escolas e comunidades.
- Nós trabalhamos com muito carinho com os cães. Não damos comidinhas como recompensa quando eles fazem algo correto. Nós demonstramos amor. Adestramento é condicionamento. O melhor adestrador é aquele que tem criatividade e paciência. Eu sempre me identifiquei com o trabalho com cães. Eu crio uma relação de amizade muito forte com os cães da companhia. Os cachorros fazem parte de nosso cotidiano e se tornam da familia - revelou o sargento, que se comunica com seus companheiros com frases em inglês e português.
