Rio pode ganhar mais unidades pacificadoras nas Olimpíadas
Ministro da Justiça não descarta possibilidade de ocupação de tropas militares durante os jogos em 2016
Josie Jeronimo, do R7, em Brasília
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O ministro da Justiça, Tarso Genro, informou nesta quarta-feira (28), em audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a guerra de facções que atinge o Rio de Janeiro, que a cidade precisará de pelo menos mais 50 unidades pacificadoras nas favelas da capital para que os Jogos Olímpicos de 2016 ocorram em clima de tranquilidade.
Genro disse que uma das opções para que o Rio realize as Olimpíadas em segurança é a ocupação da cidade por efetivo das Forças Armadas. O governo, no entanto, pretende transformar os jogos em uma oportunidade de o Rio ganhar um "legado de segurança pública".
As unidades pacificadoras - modelo de pacificação de comunidades dominadas pelo tráfico ou outro tipo de poder paralelo que conta com a integração de moradores e polícia e rejeita a predominância do confronto armado - são uma forma de garantir a paz dos fluminenses depois do fim das Olimpíadas. O ministro, no entanto, não descartou a presença das Forças Armadas na cidade durantes as Olimpíadas, mesmo com a ampliação das unidades pacificadoras.
-Nós precisamos de condições de segurança que sejam um legado. Nós podemos ocupar a cidade, como fizemos em outras ocasiões, mas depois das Olimpíadas voltaria tudo como era antes, como aconteceu no Pan (Jogos Pan-Americanos de 2007).
Atualmente, o Rio tem cinco unidades pacificadoras em favelas com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e com histórico de violência cometida por facções do crime organizado. A audiência pública foi convocada para que o ministro da Justiça explique a falência das políticas de segurança pública do Rio.
No dia 17 deste mês, um helicóptero da Polícia Militar foi abatido por traficantes do Morro dos Macacos, na Zona Norte do Rio. O confronto entre facções rivais do tráfico já provou morte de 42 pessoas. Uma semana depois do início da guerra, dez presos considerados chefes do tráfico foram transferidos de presídios do Rio para o sistema de segurança máxima de Campo Grande (MS). A polícia investiga hipótese de a guerra ter sido coordenada de dentro de presídios fluminenses.