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publicado em 21/11/2009 às 06h00:

Rio tem desafio de tratar 80% do esgoto até 2016

Só 33% do que chega hoje à Baía de Guanabara passa por purificação

Camila Ruback, do R7, no Rio


O Rio de Janeiro terá como meta até os jogos olímpicos coletar e tratar 80% do esgoto de sua região metropolitana. É o que prevê o Plano de Gestão de Sustentabilidade do Comitê Organizador Rio 2016.

Para especialistas, esse é um dos maiores desafios relacionados a meio ambiente de toda a história. Para se ter ideia da dificuldade, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, onde devem acontecer competições de vela, foi lançado há 15 anos e, até agora, só 33% do esgoto que chega à baía passa por algum tipo de tratamento.

Relatório apresentado ao COI (Comitê Olímpico Internacional) prevê investimentos de cerca de R$ 8 bilhões em programas de despoluição da Baía de Guanabara, que tem 16 municípios no entorno, e da Barra/Jacarepaguá (bairros da zona oeste do Rio).

O valor é mais de cinco vezes superior ao que foi gasto, desde 1994, com o lançamento do programa de despoluição da Baía de Guanabara.

O governo do Rio anunciou que pretende investir inicialmente R$ 1,2 bilhão na despoluição da baía, com foco no tratamento de esgoto. A meta é tratar 60% dos efluentes até 2013. A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, falou ao R7 sobre os planos:

- Nos próximos quatro anos, já está definido que vamos elevar a capacidade das estações de tratamento da Pavuna, Sarapuí e São Gonçalo, além de melhorar e aumentar o número de aterros sanitários na região.

Para alcançar a meta estipulada até a Olimpíada, a organização brasileira dos jogos planejou ações, como a recuperação de rios e córregos do Estado, a construção de novas estações de tratamento, o aumento da rede de esgoto e programas de educação ambiental.

Competições de vela

A poluição na Baía de Guanabara preocupa o velejador Lars Grael que também reconhece o tamanho do desafio que o Rio tem pela frente.

- Temos que lutar por isto [despoluição] e não devemos jogar a toalha tão cedo. Mas será fazer em sete anos, muito mais que o Plano de Despoluição da Baía de Guanabara não fez em 15.

A água poluída pode provocar doenças de pele, como micoses e infecções causadas por bactérias, segundo médicos.

Para ele, a raia da baía é pequena para todas as classes de vela e o vento é inconstante. Por isso, Grael defende que as provas sejam realizadas em Búzios, na Região dos Lagos.

A questão do lixo

E não é só o esgoto que preocupa. Os 16 municípios do entorno da Baía de Guanabara produzem cerca de 13 toneladas diárias de lixo. Desse total, nove toneladas seguem para aterros sanitários, mas os outros quatro mil quilos de lixo ficam espalhados e, com as chuvas, acabam na baía.

O governo se comprometeu a acabar com todos os lixões ilegais até 2010, além de criar usinas de reciclagem. Bombas de metano serão instaladas nos lixões para produção de energia. O Plano de Gestão de Sustentabilidade propõe que todo o entulho gerado pelas obras para 2016 seja reaproveitado.

A secretária do Ambiente vê o avanço nas coletas de esgoto e de lixo como as maiores dificuldades do conjunto de obras. Ela diz que, no caso do esgoto, o governo depende do trabalho integrado com 16 prefeituras. Já em relação ao lixo, Marilene Ramos avalia o recolhimento como “ muito deficiente em toda a região metropolitana”.


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