Sanguinetti diz que faltam análises essenciais para concluir investigações do caso Eliza
Perito do caso Isabella diz que foi convidado por defesa do goleiro Bruno, mas ainda negocia
João Varella, do R7
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O legista alagoano George Sanguinetti, que ficou conhecido por atuar em investigações paralelas de casos como Isabella Nardoni e Paulo César Farias, disse em entrevista à reportagem do R7 que faltam análises essenciais para resolver o caso do desaparecimento de Eliza Samudio. Uma delas seria a realizada com base na ação dos cães que supostamente devoraram o cadáver de Eliza. Para o especialista, se os cachorros realmente agiram conforme a versão sustentada pela Polícia Civil de Belo Horizonte (MG) até o momento, certamente haverá algum indício do corpo da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes no local do crime.
A versão da polícia é baseada no depoimento de um adolescente de 17 anos, primo do goleiro suspenso do Flamengo Bruno Fernandes, que afirma ter presenciado o assassinato de Eliza. Segundo ele, após a jovem ter sido estrangulada, ela foi esquartejada pelo ex-policial civil Marcos Aparecidos dos Santos, conhecido como Bola e teve pedaços do corpo dados para cães comerem.
Para o perito, mesmo que a área do crime tenha sido lavada, mostras biológicas ainda podem ser encontradas misturadas na areia ou no excremento dos cães.
A ideia do perito contradiz especialistas consultados pelo R7, que disseram não ser possível fazer uma análise genética a partir do corpo dos cães e é muito difícil fazer qualquer exame por meio das fezes desses animais. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Genética, Salmo Raskin, não é mais possível identificar o corpo de Eliza, quase um mês depois de sua suposta morte, por meio de exames de DNA. Para raskin, a análise só pode ser feita caso os ossos sejam encontrados em bom estado. Sanguinetti também mencionou a necessidade de se fazer mais buscas pela ossada.
O perito ainda está em negociação com a defesa de seis dos suspeitos de matar Eliza – entre eles, Bruno Fernandes. Acostumado com casos de repercussão, Sanguinetti foi convidado pela defesa de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá para elaborar um laudo paralelo sobre a morte da menina Isabella Nardoni. Mas mesmo com o trabalho do legista, o casal acabou sendo condenado em março de 2010.
Outra análise que Sanguinetti diz ver como importante para conclusão do caso é a do sangue encontrado no carro de Bruno. A Polícia Civil disse ter achado duas amostras de sangue no veículo: uma de Eliza e outra de um homem. A identidade desta última ainda não foi desvendada.
Sanguinetti diz que precisaria da autorização dos suspeitos para colher amostra para confrontar com a mancha de sangue no carro. Pela lei, nenhum dos suspeitos é obrigado a produzir provas contra si. O especialista diz, porém, que essa autorização deve pesar na sua decisão de atuar no caso. Segundo ele, Bruno ainda não tem plena certeza se a defesa deve contratar seus serviços.
A negociação - que também foi confirmada por Ércio Quaresma, advogado que representa seis dos suspeitos no caso - deve ser concluída nesta semana, segundo Sanguinetti.
– Minha família é contra [o perito atuar no caso], mas vamos ver.
O R7 tentou questionar a Polícia Civil sobre e possibilidade das perícias apontadas por Sanguinetti serem realizadas, mas a reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da instituição até a publicação desta notícia.
Próximos passos
A Polícia Civil de Minas Gerais não quis divulgar quais são os depoimentos marcados para esta terça-feira (13) ou as próximas ações da investigação. Na segunda-feira, a polícia tentou ouvir o depoimento de quatro suspeitos no caso: Wemerson de Souza (conhecido como Coxinha), Marcos Aparecido dos Santos (Bola), Flávio Caetano Araújo e Elenilson Vitor Silva. Confrontados com a versão do primo adolescente de Bruno, que os incrimina, os suspeitos disseram que só se manifestarão em juízo sobre o caso.