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publicado em 29/07/2010 às 19h38: atualizado em: 29/07/2010 às 19h50

Suspeitos do caso Eliza dizem ter sido
forçados a tirar digitais, afirma OAB

Polícia Civil de Minas Gerais nega relatos dos suspeitos, segundo relatório da Ordem

João Varella, do R7

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Relatório da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Minas Gerais concluído nesta quinta-feira (29) aponta que os suspeitos de matar Eliza Samudio foram forçados a deixar suas impressões digitais com a Polícia Civil. Forçar suspeitos a produzir obras contra si é uma quebra do Código de Processo Penal. A Polícia Civil nega ter retirado as digitais. 

O relatório é de autoria de Cintia Ribeiro de Freitas, delegada de prerrogativas da OAB-MG, nome do cargo da pessoa responsável por apurar esse tipo de suspeita de abuso. A assessoria de imprensa da OAB confirmou que o relatório está concluído, mas sua íntegra só será divulgada caso o presidente queira. Nesta tarde, o presidente da OAB-MG, Luis Cláudio da Silva Chaves, estava incomunicável porque acompanhava o JAM (Jogos dos Advogados Mineiros), segundo a assessoria. Ele ainda não leu o relatório, de acordo com a assessoria.

Segundo Cíntia, a OAB-MG e a Polícia Civil firmaram acordo para que as etapas do processo envolvendo depoimentos dos suspeitos seriam previamente comunicadas. Porém, nesta manhã, os seis suspeitos que são defendidos pelo advogado Ércio Quaresma – entre eles o goleiro Bruno Fernandes, ex-amante de Eliza e suspeito de ser o mandante do crime – foram levados até a delegacia sem o conhecimento da OAB, disse a advogada.

– Eu só tive conhecimento dos fatos quando fui contatada por um dos advogados, que me disse que o acesso [dos advogados] aos acusados estaria sendo negado. 

Cíntia conta ter levado duas testemunhas da Ordem para registrar o fato.

Queixas
Ao longo do caso, vários advogados se queixaram de supostas más condições e abusos de poder da Polícia Civil. O advogado Quaresma disse que até mesmo uma testemunha que está grávida sofreu maus tratos pela polícia.

Segundo o advogado Zanone Manoel de Oliveira, que representa o suspeito Marco Aparecido dos Santos, mais conhecido como Bola, seu cliente ficava constantemente por horas sentado na delegacia sendo pressionado para participar de acareações e prestar depoimento. 

Até mesmo um adolescente envolvido no crime pode ter sofrido abusos. Eliézer Jônatas de Almeida Lima, que representa um primo de Bruno, disse nesta quinta-feira à reportagem do R7 que viu abuso na tomada de depoimento do menor de idade por parte da Polícia Civil de Minas Gerais no dia 14 deste mês. Lima relata que o depoimento durou oito horas e as perguntas eram indutivas. Foram geradas 21 páginas de depoimento nesse dia.

A delegada retomou o depoimento no dia seguinte, data em que Lima passou a representar o menor. No dia 15, o depoimento durou apenas duas horas e quinze minutos. 

Outro lado

A Polícia Civil de Minas Gerais disse que o procedimento feito com o adolescente foi normal e que é prerrogativa do delegado fazer as perguntas que quiser a fim de obter novas informações sobre o caso. Sobre os outros casos, a polícia não se manifestou.

A reportagem do R7 tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Civil para obter um comentário sobre o relatório, mas os telefones só chamavam no início desta noite. Segundo Cíntia, quando questionada pela OAB, a Polícia Civil negou ter tirado as impressões digitais sem o consentimento dos suspeitos.


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