Jovem diz que Bruno e Macarrão teriam atirado álcool no corpo de Eliza
A estudante contou que Eliza lhe disse que, durante o sequestro no ano passado, Bruno e seus amigos teriam atirado álcool no corpo dela, puxado o seu cabelo, agredido fisicamente e feito xingamentos.
A jovem foi a segunda testemunha de acusação a depor no processo que corre no Rio sobre sequestro e lesão corporal de Eliza Samudio. A primeira foi a ex-titular da Delegacia da Mulher em Jacarepaguá, Maria Aparecida Mallet.
Milena declarou ainda que, após o sequestro, Eliza morou por algum tempo em São Paulo onde teve o seu filho e, ao retornar, ficou um período em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em seguida, voltou a morar em um hotel no Rio de Janeiro pago pelo goleiro.
Neste trecho, Milena foi questionada pela defesa do goleiro, que a indagou porque Eliza teria aceitado o convite já que havia denunciado o jogador. Ela disse que Eliza, na época, acreditava que nada de ruim poderia lhe acontecer porque o filho já tinha nascido, o goleiro Bruno havia pedido fotos da criança e ainda brincava com o menino.
Mais cedo, a delegada Maria Aparecida Mallet disse ter ouvido de Eliza Samudio que um irmão do goleiro Bruno teria participado do suposto sequestro que ocorreu no dia 13 de outubro.
Segundo a policial que, na época do fato, era titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, Eliza contou que, na madrugada do dia 13 de outubro, após ter sido colocada em um carro por Bruno e Macarrão, que tentaram convencê-la a fazer um aborto, outras duas pessoas entraram no veículo armadas. Uma delas seria um irmão de Bruno, cujo nome não foi revelado.
Bruno e Macarrão chegaram ao fórum às 11h58. Eles participarão de oito audiências na capital fluminense nos próximos 30 dias. Os amigos, que estão presos desde o início de julho em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), saíram de uniforme vermelho, sem algemas e em viaturas separadas às 8h50 do presídio de segurança máxima Nelson Hungria e chegaram ao aeroporto da Pampulha, em BH, às 9h25. Decolaram em um avião da Polícia Civil mineira para o Rio às 9h48.
A viagem durou aproximadamente uma hora até o aeroporto Santos Dumont, no Centro. Bruno e Macarrão saíram da aeronave às 10h55, mas retornaram às 10h57 para trocar de roupa. Às 11h01 já estavam caminhando pela pista do aeroporto em direção a viaturas da Polícia Civil.De lá, seguiram para o Instituto Médico Legal do Centro do Rio, onde chegaram às 11h19 para a realização de exames de corpo de delito. Os procedimentos duraram menos de 15 minutos e os suspeitos então puderam ser levados para o fórum de Jacarepaguá.
Isolados por 30 dias em Bangu
O promotor Eduardo Paes, da 1ª Vara Criminal, confirmou que os dois ficarão na capital fluminense por 30 dias para oito audiências, embora o advogado Ércio Quaresma negue. No período, eles ficarão presos no complexo penitenciário de Bangu (presídio Bangu 2), na zona oeste, em celas separadas, isolados dos outros detentos e sem poder receber visitas.
Esta primeira audiência será de instrução e julgamento do processo em que são acusados de sequestro e lesão corporal contra Eliza, em outubro de 2009. O atleta sempre se recusou a falar sobre o caso à polícia e afirmou que falaria somente em juízo.
A defesa de Bruno indicou oito testemunhas, entre as quais três foram afastadas pelo magistrado. A presidente do Flamengo, Patricia Amorim, o diretor-executivo de futebol do clube Zico, o técnico campeão brasileiro pelo time Jorge Luis Andrade da Silva, o Andrade, o goleiro Paulo Victor Mileo Vidotti e Christian Chagas Tarouco serão ouvidos.
O juiz recusou o pedido de convocação de Quaresma a Eliza Samudio, o jogador Adriano e a Vagner Love. O magistrado entendeu que "provas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias podem ser indeferidas".
As testemunhas indicadas pela defesa de Macarrão são: Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, Milena Baroni Fontana, o jogador Leo Moura, Fabiana Albuquerque, Cíntia Moraes, Amanda Zampiere, o jogador Rodrigo Alvim e Álvaro Luiz Maior de Aquino, ex-zagueiro do Flamengo.
A prisão preventiva dos dois foi decretada no dia 8 de julho. Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público, Bruno agrediu Eliza física e psicologicamente, em 2009, exigindo que a ex-amante fizesse um aborto. Na época, Eliza estava grávida de cinco meses e tentava provar na Justiça que Bruno era o pai da criança.
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