Cidades

26/2/2013 às 00h10 (Atualizado em 27/2/2013 às 13h55)

Vinte e quatro feridos em incêndio de boate em Santa Maria continuam internados no RS

Segundo Ministério da Saúde, três pacientes respiram com ajuda de aparelhos

Ana Ignacio, do R7

Após incêndio, número de internados passou de 140 AP Photo/Deivid Dutra/Agência Freelancer

Um mês após a tragédia na boate Kiss que causou a morte de 239 pessoas, em Santa Maria, 24 jovens que estavam na casa noturna ainda estão internados em hospitais do Rio Grande do Sul – 20 em Porto Alegre e quatro em Santa Maria. De acordo com o Ministério da Saúde, três estão em estado crítico e respiram com ventilação mecânica.

O número de internados após o incêndio na boate ultrapassou 140. Cinco feridos morreram no hospital. Após o ocorrido, os pacientes em estado mais grave foram transferidos para Porto Alegre, cerca de 300 km de Santa Maria, para um hospital de referência no atendimento a queimados no Estado.

Nesse período, o Estado chegou a receber ajuda do exterior. A Argentina mandou estoque de pele para o Brasil e médicos do Canadá foram para o Rio Grande do Sul avaliar os pacientes internados e iniciar a aplicação da técnica de ventilação extracorpórea, que ajuda a promover uma recuperação pulmonar mais rápida. 

 

Veja a cobertura completa da tragédia

Maioria das vítimas era de estudantes. Veja o perfil

Logo após o incêndio, cerca de130 pessoas ficaram feridas e foram internadas. No entanto, por causa da inalação da fumaça tóxica – motivo da morte da maioria das vítimas – muitos sobreviventes sofreram de pneumonia química e outras complicações respiratórias dias após a tragédia e tiveram que ser internados. 

Acompanhamento

Na última sexta-feira (22), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou as medidas que fazem parte da terceira fase de atendimento médico aos familiares, vítimas e profissionais que participaram do resgate do incêndio na boate. Segundo o ministro, as ações fazem parte de um termo de compromisso que vai organizar o serviço de acompanhamento clínico e psicossocial para os envolvidos. 

Em nota, ficou esclarecido que receberão atendimento “os pacientes que foram internados com comprometimento pulmonar e/ou  queimaduras; as pessoas que tiveram contato na boate com os gases e inalante; além dos amigos, familiares das vítimas e profissionais envolvidos no atendimento que precisam de apoio psicológico”.

Ainda de acordo com a nota, nesta etapa, o foco será o acompanhamento dos pacientes que sofreram problemas pulmonares. Além disso, aqueles que estiveram no local da tragédia serão cadastrados para que ocorra o monitoramento de seu estado de saúde. Em março será aberto um espaço para o cadastramento dessas pessoas.

Já os feridos que ficaram internados na UTI e tiveram problemas respiratórios graves serão submetidos a novos exames para uma avaliação mais completa, como explica o ministro na nota. 

— Esses exames nos permitem avaliar se houve evolução de alguma lesão pulmonar ou qualquer outro tipo de alteração ou sequela. Esse resultado vai nos ajudar a prever que outras ações clínicas podem ser adotadas.

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Um mês de tragédia

A tragédia vai completar um mês nesta quarta-feira (27). O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, a 290 km de Porto Alegre, aconteceu na madrugada do dia 27 de janeiro e deixou 239 mortos e mais de cem feridos. O fogo teria começado quando a banda Gurizada Fandangueira se apresentava. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos.

A casa noturna estava superlotada na noite da tragédia, segundo o Corpo de Bombeiros. O incêndio provocou pânico e muitos não conseguiram acessar a única saída da boate. Os proprietários do estabelecimento não tinham autorização dos bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da casa estava vencido desde agosto de 2012.

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Esta é considerada a segunda maior tragédia do País depois do incêndio do Grande Circo Americano, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Em 17 de dezembro de 1961, o circo pegou fogo durante uma apresentação e deixou 503 mortos.

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