Vice-presidente da Câmara xinga ministro da articulação e tempo fecha entre aliados

Por Mariana Londres, de Brasília

A 'fritura' do ministro Imbassahy continua na Câmara dos Deputados
A 'fritura' do ministro Imbassahy continua na Câmara dos Deputados Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

Os jornalistas que cobrem a Câmara dos Deputados presenciaram na manhã desta quarta-feira (13) uma cena constragedora entre o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG) e Antônio Imbassahy, ministro da Secretaria de Governo. Ao se encontrarem na solenidade que formalizou a venda da folha de pagamento dos servidores da Câmara, Fábio Ramalho falou alto, para todo mundo ouvir, que Imbassahy era "um merda", "um bosta" e que "acha que tem o rei na barriga". O diálogo foi presenciado pela produtora da Record TV Myrcia Hessen. Imbassahy não respondeu, apenas fez sinal negativo com a cabeça. 

Tentando apaziguar os ânimos, o presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) bateu de leve nos ombros de Fábio Ramalho e falou: "vai lá assinar, vai, vai lá!". Após o mal estar, Ramalho disse que tratou Imbassahy apenas como foi tratado hoje mais cedo no Palácio do Planalto. 

— Eu estava no Palácio do Planalto e o chamei várias vezes e ele me desprezou. Ele faz o que o presidente da República não faz, quando um parlamentar o chama [sobre Temer] ele fala, ele escuta. Ele [Imbassahy] me tratou com desprezo. Eu o tratei aqui da mesma que ele me tratou. Eu demostrei a ele que eu não estou feliz com ele como articulador e também a maioria dos parlamentares.

Não é de hoje que a base aliada de Temer reclama da atuação de Imbassahy e a insatisfação ficou maior após o PSDB, partido de Imbassahy, rachar na votação da denúncia contra Temer. O PMDB reclamam basicamente que os tucanos têm muito espaço no governo para pouco apoio. 

Fábio Ramalho aproveitou para reclamara da articulação política feita pelo tucano.  

— Nós temos um articulador político hoje que se chama presidente Michel Temer. Ele que é o articulador. Se as votações aqui na casa andam é por causa dele. Ele que pega o telefone, ele que atende o parlamentar. E sobrecarregado de trabalho. Eu vejo. O presidente trabalha de 7 horas da manhã até 3 horas da manhã. Eu falo que outros governos tiveram bons articuladores políticos e vou citar. Deputado José Múcio. As pessoas tem que sentar com José Múcio para ver o que é ser articulador. 

Questionado sobre uma possível saída de Imbassahy, Ramalho disse que não cabe a ele tirar ministro e negou que haja pressão para a saída do articulador de Temer.  

— Não cabe a mim tirar ministro. Quem determina é o presidente da República. Eu não vou criar polêmica, só não vou à sala dele mais. Não posso afirmar se tem pressão [dentro do PMDB para tirar o Imbassahy]. O que eu posso dizer é que tem a pressão dos deputados que são muito mal atendidos pelo articulador político. O articulador tem que ter mais ouvidos e sensibilidade com cada parlamentar. Aqui não tem baixo clero e alto clero.Todos os deputados são iguais e devem ser tratados da mesma forma. Só assim você consegue fazer uma articulação bem feita. Estamos à pé de articulador político. Temos apenas o presidente. Quero deixar as palmas para o presidente que é um grande articulador e a minha insatistação com o articulador. Não só minha. Basta perguntar aqui na Câmara. 

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