Casamentos movimentam cerca de R$ 18 milhões no Distrito Federal

Casais pagam até R$ 100 mil para ter uma festa de casamento dos sonhos

Susana e João gastaram mais de R$ 100 mil para realizar o casamento que planejaram por dois anos e meio
Susana e João gastaram mais de R$ 100 mil para realizar o casamento que planejaram por dois anos e meio Monjardim Noleto - arquivo pessoal

O mercado de casamentos no Distrito Federal movimenta cerca de R$ 18 milhões por ano, de acordo com a Abrafesta (Associação dos Profissionais, Serviços para Casamento e Eventos Sociais). O número coloca a capital em terceiro lugar no ranking entre as cidades do País com maior arrecadação no setor de eventos, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Os valores variam muito de acordo com o gosto e preferências dos noivos. Há desde casamentos temáticos em casarões antigos com gastos estimados em R$ 100 mil até cerimônias mais íntimas, realizadas em casa mesmo. O que manda na hora de organizar o casório é o desejo da noiva e o orçamento destinado para aquele momento que, na maioria dos casos, dura apenas uma noite.   

O fotógrafo e decorador de casamentos Netto Galvão entrou no ramo por acaso. Formado em engenharia civil e arquitetura, ele se licenciou do cargo de servidor público para se dedicar a tornar possível o sonho de noivas de Brasília. Tudo começou em 2009 quando ele recebeu o convite de uma amiga para fazer a decoração do casamento dela.  

— Eu pesquisei muito. Fui atrás de guias, estudei detalhes, fiz orçamentos tudo dentro do que minha amiga me permitiu. E o melhor, ela me deixou livre para criar. Então peguei a ideia inicial e corri atrás para realizar o sonho dela.  

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A partir dali, Galvão percebeu um mercado em crescimento. Na noite da festa da amiga, ele recebeu o convite para fazer outros casamentos. Desde então, não parou mais. Só para este ano, ele tem 68 contratos fechados.  

— Existe todo tipo de noiva, desde a mais extravagante até a romântica. Mas as melhores são as que me deixam criar. Neste caso, a surpresa é maior. Mas o sucesso da festa depende muito do planejamento. Por isso, deixo tudo muito claro antes de fechar o contrato.  

Galvão atende a cerca de cinco noivas por dia em seu escritório no Sudoeste, região administrativa do DF. Ele diz que não há como estabelecer uma média de quanto elas gastam no casamento, mas já fechou contratos de R$ 10 mil até R$ 100 mil apenas para a decoração. Segundo a Abrafesta, são gastos em média são R$ 14.400 por casamento.  

No caso da jornalista Susana Scarlet, de 28 anos, foram gastos mais de R$ 100 mil para realizar o casamento do jeito que ela queria. Ela se uniu ao enfermeiro João Sabino, 29 anos, em novembro do ano passado na Catedral Metropolitana de Brasília. As bodas do casal teve tudo o que uma cerimônia tradicional tem direito: buffet, decoração de luxo, limousine, lembrancinhas, pista de dança e tudo o mais. Mas ela conta que se preparam por dois anos e meio para pagar todas as despesas e não entrar no casamento endividados.   

— Foram dois anos e meio de muita pesquisa e pechincha. Cheguei a participar de um grupo de noivas que se juntaram para ajudar umas a outras a encontrar preços mais em conta.

Mesmo gastando o valor de um imóvel para um evento de uma noite, Susana acredita que vale a pena todo o esforço e planejamento do seu casamento. Mas considera os valores exorbitantes.  

— Quando a gente está planejando o casamento, não há preço que pague nossa felicidade. Parece que tudo vale a pena. Hoje, não pagaria tudo o que paguei porque os preços são exorbitantes. Os fornecedores se aproveitam do nosso estado de graça e triplicam o valor real do serviço ou do produto.  

Pontão do Lago Sul

Um dos cenários mais escolhidos pelos casais de Brasília para fazer o ensaio fotográfico de prévia é o Pontão do Lago Sul. O open mall, shopping aberto, recebe cerca de oito noivas por dia que busca registrar a melhor foto para compor o álbum de casamento.  

De acordo com a administração do local, o fotógrafo profissional precisa pagar uma taxa de R$ 50 para uso do espaço. A medida chegou a ser questionada na justiça pelo Ministério Público por ser um local público. Mas o shopping ganhou a causa alegando que o espaço tem uma concessão de direito real de uso oneroso adquirida pela EMSA (Empresa Sul-Americana de Montagens S.A.) para exploração econômica. Neste caso, a justiça entendeu que a cobrança da taxa é justa para cobertura de pequenos reparos pelo uso de locações de ensaios fotográficos.