Menos dois

Menos dois

O empate do Corinthians, sábado, no Itaquerão, teve seu reflexo ontem, na Arena Olímpico. Com a boa vitória do Grêmio sobre a Ponte Preta, o tricolor gaúcho reduziu em dois pontos a diferença que o separa do líder. Agora, o tricolor gaúcho está “apenas” oito pontos atrás do Timão. É pouco? De modo algum, mas quando lembramos que ainda temos 24 jogos a realizar neste Brasileiro da Série A…

Os mais críticos, e otimistas em relação ao futuro do torneio, dirão que o Corinthians já começou a jogar de salto alto. Exagero, estejam certos. Pelo menos no que diz respeito ao jogo contra o Atlético Paranaense. Não há dúvida, porém, que se estivéssemos na reta final do Brasileiro, com a diferença podendo chegar a um nível de ameaça a equipe de Fábio Carille teria jogado de outra forma. “Com sangue nos olhos”, como se costuma dizer. E não foi isso que se viu.

Ao contrário, o Grêmio, depois de alguns vacilos, está entrando em campo desta forma nas últimas partidas. Foi assim contra o Flamengo, foi assim contra a Ponte Preta. E a diferença, repito, caiu dois pontos. É claro que isso não será um hábito em todas as rodadas, mas vai que o Corinthians tropece em mais duas rodadas? Aí, a distância praticamente termina – e o fator psicológico, então, entrará em campo.

Por falar em psicologia… O que será que os brilhantes cartolas do São Paulo dirão, agora? Trocaram o treinador, dispensaram Rogério Ceni que, acima de tudo, é um ídolo no Morumbi, para contratar um técnico adepto do “eu ganhei, nós empatamos, eles perderam”. Até agora só falou dos dois últimos casos. E o tricolor paulista afunda-se cada vez mais na zona do rebaixamento. Para fugir do Z-4 na próxima rodada o São Paulo precisa golear e torcer para a Ponte Preta perder – aí tira a diferença no saldo de gols.

O pior da derrota de ontem, em Chapecó, foi ver a Chapecoense abrir seis pontos do pessoal que está na zona da degola. E a galera do Oeste catarinense lotou a Arena Condá para dar força ao time da casa, que vinha caindo.

Por falar em estar em queda… Além de Ponte Preta e São Paulo, o Vitória também precisa acordar. O rubro-negro baiano começa a se acostumar com a presença no Z-4. Mais acostumado do que o Vitória, só outro rubro-negro, o Atlético Goianiense. O Dragão, ontem, até deu a impressão de que sairia do Estádio Olímpico de Goiânia com um bom resultado, mas o Atlético Mineiro virou e acabou ganhando. O rubro-negro de Goiás está cada vez mais afundado no rebaixamento. Precisa ser muito otimista para achar que o time conseguirá salvar-se.

Salvação, aliás, passa a ser palavra de ordem em Cruzeiro, Flamengo, Santos e Vasco. Não salvação contra o rebaixamento, afinal, os quatro times estão na parte de cima da tabela de classificação, mas salvação em relação às expectativas de Libertadores ou, sendo muito otimista, de luta pelo título.

No Mineirão, Cruzeiro e Flamengo ficaram no empate. Melhor para Grêmio, Palmeiras e Sport. O time de Renato Portaluppi, como já escrevi, ficou isolado na vice-liderança. O Palmeiras e o Sport firmaram-se no G-6 (o rubro-negro pernambucano ainda joga hoje, podendo consolidar ainda mais sua posição). Só que o empate de Minas Gerais foi bom também para o Santos, que ficou no empate no Engenhão, parou o Vasco que foi obrigado a jogar sem torcida e firmou-se em terceiro lugar.

Futebol raiz

Certamente o leitor já leu ou ouviu alguma comparação entre o futebol raiz e o nutella.

O raiz é aquele do estádio com geral, torcidas se provocando, emoção. No nutella (assim mesmo, em minúscula), temos as tais arenas, lugar marcado, torcida agindo como se estivesse num teatro.

Pois bem… Se está com saudade do raiz, dê uma olhada nos jogos da Série D do Brasileiro.

Há de tudo o que o verdadeiro futebol pode proporcionar, incluindo muita emoção e amor à camisa.

Temos alguns times que já deram o que falar no cenário nacional e muita paixão.

Sábado vi América de Natal e Aparecidense, de Goiás. O time potiguar ganhou o jogo com um gol quase aos 45 do segundo tempo, levando à loucura seus torcedores que encheram a Arena das Dunas. Emoção pura.

Saiba mais em Jornal de Brasília