Distrito Federal

20 de Novembro de 2014

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Homem assalta mercado do DF oito vezes em um dia e dono o ajuda a melhorar de vida

Ele é parceiro de uma cooperativa que ajuda a ressoscializar pessoas marginalizadas

Gustavo Frasão, do R7 | 30/12/2012 às 01h15
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O dono de um mercado da Estrutural, região administrativa do DF, preferiu ajudar um homem que assaltou oito vezes em um dia o estabelecimento ao invés de chamar a polícia. Após ser furtado várias vezes, ele levou o assaltante para trabalhar em uma cooperativa que ajuda a ressocializar pessoas marginalizadas.

A ideia deu certo. O então assaltante, hoje é conhecido como "Magaiver" pelos colegas de trabalho, por encontrar soluções para tudo o que se propõe a fazer. José Divino Vieira, de 46 anos, é ex-viciado em crack e cometeu diversos crimes nas ruas da capital federal para alimentar o vício. Agora, ele usa a oportunidade para se recuperar das drogas e reconstruir a vida.

Vieira é um dos 80 funcionários contratados pela Cooperativa Sonho da Liberdade, criada há cinco anos por um ex-presidiário para oferecer oportunidades de emprego e crescimento pessoal às pessoas que não têm chances no mercado de trabalho. Atualmente, a empresa, que tem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), conta com 80 pessoas entre presidiários, ex-presidiários e pessoas que enfrentam graves problemas sociais, e fatura mais de R$ 100 mil por mês, ajudando a reconstruir vidas de pessoas que não têm "dignidade" diante da sociedade.

Nascido em Anápolis (GO), Magaiver relata que se afundava cada vez mais nas drogas e, por conta disso, perdeu família e foi morar nas ruas. Ele assaltava para arrecadar qualquer dinheiro que fosse o suficiente para comprar mais crack, porque era isso que o "matinha vivo". Ele relatou que quando o dono do mercado o pegou em flagrante, quando estava roubando o local pela oitava vez no mesmo dia, o pegou pelo braço, levou para a casa dele e teve uma conversa.

— Ele perguntou se eu queria mudar de vida. Eu disse que queria, que não aguentava mais isso, mas que ninguém queria me ajudar. Eu procurava, mas não tinha chance nem oportunidade. Foi aí que ele me levou para a cooperativa, me apresentou para o Fernando Figueiredo, fundador do local, e eu pensei comigo: agora é minha chance! E agarrei com unhas e dentes.

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Desde que começou a trabalhar na cooperativa, há dois anos, o ex-viciado desenvolveu habilidades como marceneiro, carpinteiro, serralheiro, eletricista e tapeceiro. Além disso, ele também gosta de inventar coisas para facilitar o trabalho e aumentar a produtividade.

Atualmente, "Magaiver" fabrica pelo menos 30 sofás em três horas de trabalho e depois sai às ruas para vendê-los. O valor é simbólico, mas para ele é mais que uma vitória.

— Uso madeira reaproveitada para fazê-los, coloco em um carrinho de ferro que eu mesmo montei e saio vendendo. Cobro R$ 40 e quase sempre nem chego ao destino final, porque vendo tudo antes.

Ele usa um pequeno quarto construído de madeira dentro da cooperativa para fabricar os sofás e, para aumentar a produtividade, agora "Magaiver" dedica parte do seu tempo criando uma máquina que vai ajudá-lo a aumentar de 30 para 80 sofás por dia. Para Figueiredo, que o recebeu quando mais precisou, é uma experiência gratificante vê-lo crescendo cada dia mais.

— Ele virou um funcionário fundamental aqui dentro. Ele é um dos que mais faz, mais produz e mais se supera todos os dias. Quando ele chegou, coloquei ele para dormir no meu quarto, junto com peças, ferramentas e dinheiro. Pensei comigo: vou fazer o teste logo agora, porque se ele quiser roubar para comprar drogas ele fará isso é hoje. Se não fizer hoje, nunca mais fará. E foi dito e feito. Ele ficou lá cinco dias e não mexeu em nada. Aí eu vi que poderia realmente confiar nele e dar a oportunidade que ele tanto esperava.

Depois de conhecer o caminho das pedras, o marceneiro, com as mãos calejadas e com uma experiência de vida poucas vezes superada por outras pessoas, refaz o destino aos poucos e pensa em reconquistar a família, que atualmente mora em Barreiras, na Bahia.

— Eu não conseguia juntar R$ 5, porque ia tudo para o crack, mas guardar dinheiro hoje é comigo mesmo e minha família não sabe da minha recuperação. Quero reconquistar a minha mulher e minhas duas filhas. Abri uma poupança para elas e meu projeto é comprar um carro em pouco tempo para visitá-las.

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