Distrito Federal

31 de Outubro de 2014

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Prostitutas de luxo de Brasília estudam idiomas e fazem tratamentos estéticos para receber clientes na Copa

Elas fazem cursos intensivos de inglês, espanhol e procedimentos para "turbinar" o corpo

Gustavo Frasão, do R7 | 20/01/2013 às 14h01
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As prostitutas de luxo da capital federal, também conhecidas como "acompanhantes VIP", estão se preparando para receber o público estrangeiro nas Copas das Confederações, em julho deste ano, e do Mundo, em 2014. Cursos intensivos de inglês, espanhol e  procedimentos como novos implantes de silicone, lipoaspiração, clareamento dental, limpeza de pele e até tatuagens pelo corpo estão entre as apostas das profissionais do sexo. Algumas compraram, inclusive, roupas, fantasias e brinquedos eróticos para atender a todas as possíveis demandas dos clientes de fora.

Para elas, o público que estará em Brasília durante os jogos será mais exigente e poderá pagar mais pela hora do programa, que atualmente está em torno de R$ 400. A expectativa de Bruna*, de 29 anos, é dobrar esse valor para os homens e mulheres que não forem do Brasil e aumentar para R$ 650 para as pessoas que forem do Distrito Federal.

— Já tenho fluência em inglês e agora estou terminando meu curso de espanhol. Troquei as próteses de silicone, mudei a cor dos cabelos e fiz tatuagens em "posições estratégicas" do corpo, porque sei que eles adoram isso. Estou apta para atender a qualquer público nessa Copa das Confederações [em junho deste ano] e estarei ainda melhor na Copa do Mundo de 2014.

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Com isso, Bruna pretende juntar uma boa quantia em dinheiro e deixar a prostituição em 2015. Casada há quatro anos e mãe de um menino de dez, fruto do primeiro casamento, ela tem medo de que o filho e o marido descubram que ela trabalha como profissional do sexo e também sabe que o sucesso financeiro adquirido ao longo dos últimos 14 anos é temporário, porque não pode depender do corpo "para sempre".

— Meu marido acha que sou vaidosa e que invisto em mim para agradá-lo. Não deixa de ser verdade, mas faço isso principalmente porque sei o que faz o meu público me procurar. Só não posso vacilar, porque eles [o marido e o filho] acham que sou gerente de uma casa noturna e nem desconfiam que sou garota de programa.

Internet

A internet também tem facilitado o trabalho dessas mulheres que não podem contar a verdade sobre a vida profissional aos amigos e familiares. Elas encontraram na rede virtual uma maneira mais discreta, segura e eficaz de anunciar os serviços. Nos perfis de sites especializados em sexo, elas se definem como "acompanhantes de luxo", têm entre 18 e 35 anos e a maioria tem ou está fazendo algum curso superior.

Esse é o caso de Camila*, de 29 anos. A jovem mantém o anúncio virtual em sites especializados de Brasília há dois anos e também tem a própria página pessoal, criada há 11 meses. Lá, ela divulga contatos, fotos, vídeos, depoimentos e faz até "reserva" para atendimentos.

Formada em administração de empresas desde 2012, Camila tem clientes exigentes e justamente por isso se preparou para receber o público que estará na capital federal durante os jogos das Copas das Confederações e do Mundo de 2014.

— Falo vários idiomas. Sempre achei que fosse importante falar fluentemente pelo menos três línguas. Agora, dei uma turbinada no meu corpo e gastei mais de R$ 5 mil com roupas, fantasias e brinquedos sexuais. Fiz limpeza de pele e clareamento dental. Estou pronta para atender a homens, mulheres, casais, políticos, empresários e tenho "equipamentos" para todos os gostos.

Bruna também tem curso superior. Formada em psicologia há oito anos, ela até tentou trabalhar na área, mas não conseguiu nenhum emprego que pagasse os R$ 12 mil por mês que atualmente ela recebe como "acompanhante de luxo". Com um perfil recém-criado em um site especializado em sexo de Brasília, ela disse que a agenda está cheia de clientes estrangeiros e de outros Estados do País até dezembro desse ano.

— Foi tudo muito rápido, em menos de três meses lotei a agenda. E é com o público que virá assistir os jogos da Copa das Confederações. No site tem um formulário de "reserva". Lá, a pessoa escreve os dados dela, marca o dia e horário que for melhor, diz o que espera e o que deseja de mim no dia e faz o pagamento por cartão de crédito ou boleto bancário. Parte do valor vai para a agência e o restante é creditado em uma conta que só eu tenho acesso.

Apesar de estar bem-sucedida na vida profissional, Camila contou à reportagem do R7 que passou recentemente em um concurso público e vai deixar a prostituição até 2015.

— Assim que eu tomar posse vou diminuir o ritmo nos atendimentos sexuais. Continuarei até a febre do futebol passar, depois da Copa do Mundo de 2014, e depois paro. Sou casada, tenho uma filha que acabou de completar quatro anos e não quero que a minha família descubra.

*Nomes fictícios, alterados a pedido das entrevistadas

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