Distrito Federal

31 de Outubro de 2014

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Trabalho e educação elevam qualidade de vida no Distrito Federal, diz pesquisa da FGV

Com nota 5,71, em uma escala de zero a dez, a capital federal desbanca São Paulo

Do R7 | 06/12/2012 às 01h14
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Brasília atingiu o topo do ranking no índice de desenvolvimento social, que mede a qualidade de vida, obtendo resultado superior às demais unidades federativas do Brasil. Os dados são do ISDM (Indicador Social de Desenvolvimento dos Municípios), lançado pelo Centro de Microeconomia Aplicada da Escola de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas). Nos quesitos trabalho e educação, a unidade federativa teve os melhores número de todo o Brasil, o que elevou a nota e garantiu o primeiro lugar.

O Distrito Federal, representado na pesquisa por Brasília, atingiu a nota de 5,71 em uma escala que varia de zero a dez. O estudo avalia cinco aspectos sociais para atribuir a nota a cada estado do País: saúde/segurança, habitação, renda, trabalho e educação. Os dados da FGV foram divulgados no mesmo dia em que uma pesquisa internacional colocou Brasília no primeiro lugar do ranking das melhores cidades do planeta para se viver.

Para o professor de sociologia da UnB (Universidade de Brasília), Marcelo Medeiros, o resultado não é uma novidade. O especialista explica que Brasília concentra grande massa de trabalhadores qualificados, principalmente na rede pública. Além disso, as pessoas com menores rendas normalmente moram na região do Entorno do DF e não são contabilizadas pela pesquisa.

— O Distrito Federal sempre foi uma das regiões mais ricas do Brasil. Os servidores recebem salários altos, o que explica as melhores condições de vida. 

O estudo da FGV foi feito com dados de 2010 do IBGE e dos ministérios da Saúde e da Educação. Em habitação, foram avaliados índices de coleta de lixo, energia elétrica, água canalizada, esgoto, casa própria e número de pessoas por cômodo da casa. Em renda, foram consideradas extrema pobreza e pobreza; em trabalho, taxa de ocupação, formalização e trabalho infantil. Em saúde e segurança, foi analisada a taxa de mortalidade infantil, os nascidos vivos com baixo peso, a taxa de mortalidade infantil por causas evitáveis, a gravidez precoce e a taxa de homicídio. Em educação, a pesquisa avaliou os ensinos Fundamental e o Básico.
A pesquisadora da FGV Amanda Arabage, responsável pelo estudo, explica que Brasília tem bons índices, principalmente quando comparado à média nacional. Apesar de ter tido diminuição nos números em relação ao ano 2000, Amanda explica que não foram os índices de Brasília que pioraram, mas a média de outros municípios que melhorou.
— Mesmo com uma diminuição no índice geral, Brasília ainda está acima da média brasileira.
O Distrito Federal é seguido por São Paulo (5,71), prejudicado no desempate por índices mais baixos em vários municípios.  Depois, aparecem Santa Catarina (5,60) e Rio de Janeiro (5,51). No sentido contrário, estão o Maranhão (3,35), Piauí (3,74), Amazonas (3,77) e Alagoas (3,83).
População dividida
Apesar de conquistar o primeiro lugar no ranking, a opinião dos moradores do Distrito Federal se divide. A estudante de jornalismo Carolina Pereira da Cruz mora em Ceilândia, região administrativa do DF, e afirma que os serviços públicos na capital são de péssima qualidade.
— Não conheço as outras regiões do Brasil, mas se o Distrito Federal está em primeiro lugar nem imagino como deva ser as outras cidades. Aqui não há incentivos e precisa melhorar muito, principalmente os hospitais onde as pessoas ficam esperando horas para serem atendidas.
Ao contrário de Carolina, o vigilante Cesar Carlos acredita que o Distrito Federal ainda é um bom lugar para se morar e que muitas pessoas se mudam para a capital federal em busca de empregos em órgãos públicos.
— O Distrito Federal ainda é uma cidade nova e já se desenvolveu bastante. Além das vagas de emprego, a educação é de boa qualidade, vejo isso pelas minhas filhas que já demonstram bastante conhecimento. 
Dados como o aumento nos números de casos de estupros e sequestro também questionam os bons índices do Distrito Federal. No transporte público, pesquisa divulgada em junho deste ano mostra que mais de 60% dos usuários classificam o transporte coletivo como péssimo. Na região do Entorno, a situação é ainda pior. Mesmo o Plano Piloto tem índices preocupantes: reportagem publicada pelo R7 DF mostra que o tráfico de drogas aumentou na região.
Para o especialista em Geografia Urbana e professor emérito da UnB, Aldo Paviani, as pesquisas refletem especialmente as condições sociais de regiões como o Plano Piloto e oa lagos Sul e Norte.
— Em princípio, a cidade tem pontos de vida agradável. Mas se você for a regiões como Santa Maria e Recanto das Emas, é possível ver uma realidade diferente.
Ele afirma ainda que os bons índices não chegam a muitos moradores do Distrito Federal.
— Para os cerca de 160 mil desempregados do Distrito Federal, Brasília não é uma cidade boa.

 
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