Economia

8/9/2013 às 10h03

Agências de viagens tentam 'driblar' alta do dólar

Empresas têm negociado com fornecedores para tentar amortecer o repasse

Agência Estado

Pacotes internacionais ficaram em média de 5% a 10% mais caros em comparação ao primeiro semestre deste ano Polarica/Getty Images

Não foi possível conter o aumento de preços nos destinos internacionais - os pacotes ficaram, em média, de 5% a 10% mais caros em comparação ao primeiro semestre do ano, segundo a ABAV (Associação Brasileira das Agências de Viagem). Porém, as agências têm negociado com os fornecedores para tentar amortecer o repasse da alta.

Segundo o vice-presidente de relações internacionais da Abav, Leonel Rossi Junior, os interessados vão viajar para o exterior.

— Apenas 6,5 milhões de brasileiros viajam para fora todos os anos, ante uma população de 200 milhões. Mas esse número tende a aumentar mesmo com o dólar alto, pois as pessoas querem viajar e as agências estão cortando lucro.

Na agência Hotel Urbano, o preço de uma viagem para Buenos Aires teve aumento de 6% nos últimos dois meses. Já o pacote para Nova York subiu 8%. Para destinos como Orlando e Miami, o maior aumento: 13,5%.

Os porcentuais seriam maiores não fosse a estratégia de cortes. De acordo com o cofundador do Hotel Urbano, José Eduardo Mendes, quando o dólar começou a subir muito, batendo R$ 2,40, a empresa diminuiu a margem de lucro.

— Uma margem que antes ia de 28% a 32% hoje já está em 18%.

Com isso, a queda no movimento em relação a agosto de 2012 foi de apenas 2%.

Mendes também resolveu reforçar o marketing em destinos nacionais, cujo crescimento da demanda passou a ser notável no início de julho, quando o dólar beirava os R$ 2,30.

— Queremos que clientes das Regiões Sul e Sudeste, que compravam muitos pacotes para Buenos Aires, Miami e Orlando, experimentem viagens para Norte e Nordeste, por exemplo.

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Alípio Camazo, presidente da Decolar.com, notou aumento de demanda por destinos domésticos em julho e leve retraída na demanda internacional.

— Isso é normal em tempos de volatilidade de moeda, mas já é possível observar que as coisas estão se acomodando.

Outras empresas lançaram mão de promoções de câmbio fixo. Em julho, a CVC fixou o dólar a R$ 1,99 para destinos como EUA e Caribe. Como resultado, os embarques e vendas antecipadas no período cresceram 10% em relação ao mesmo período em 2012. Na sequência, a empresa emendou outra promoção: em passagens da American Airlines para embarques em 2013 e 2014, o câmbio foi fixado a R$ 2,19, quando o dólar batia R$ 2,40. Na última semana, essa cotação foi expandida a todos os pacotes.

Segundo o vice-presidente de canais de vendas da CVC, Sandro Sant'Anna, o fato da empresa ser a maior operadora e ter um grande volume de vendas possibilita negociar e oferecer um câmbio fixo.

Congelamento

Rossi, da Abav, acredita que o que mais pode pesar no bolso são as despesas individuais durante a viagem, o que levaria os brasileiros a ter de cortar as compras de 10% a 15%.

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