BNDES exige fiança para liberar empréstimo de empresa de sonda do pré-sal

Companhia é fruto da parceria entre sete outras empresas e se juntou ao grupo Petrobras

Sete Brasil constrói sondas usadas na área do pré-sal
Sete Brasil constrói sondas usadas na área do pré-sal Reprodução/Sete Brasil

Pelo menos três das condições impostas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para liberar o financiamento de longo prazo para a Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a contratação de sondas para exploração do pré-sal pela Petrobras, não podem ser atendidas pela empresa, segundo contam alguns dos acionistas da companhia.

O banco estaria exigindo uma fiança bancária de US$ 1,5 bilhão, uma auditoria independente para averiguar os preços das sondas contratadas e ainda que os recursos liberados sejam integralmente usados para pagar apenas o primeiro lote de sondas, sete no total.

O argumento dos acionistas é o de que é impossível atender essas três exigências. No caso da fiança, a empresa já está devedora do empréstimo-ponte de US$ 3,6 bilhões com um grupo de seis bancos e não tem crédito na praça.

No caso da auditoria, outros bancos já teriam tentado fazer essa exigência, mas auditores e consultores se recusaram a fazer tal avaliação por não ser possível auferir valores para as sondas, que pela primeira vez estão sendo feitas no Brasil.

No caso do pagamento de apenas o primeiro lote de sondas, os estaleiros ficariam sem fluxo suficiente de caixa para tocar a construção das outras sondas que serão entregues em prazo mais longo.

"Se tivéssemos crédito para uma fiança bancária, usaríamos o dinheiro para pagar os estaleiros", exemplifica um dos donos da Sete. A empresa já deve mais de R$ 2 bilhões aos estaleiros. "E se pagarmos só o primeiro lote, os estaleiros quebram de qualquer jeito."

As conversas com o BNDES têm sido constantes para se chegar a um acordo. Desde a divulgação da delação premiada de Pedro Barusco, ex-diretor da empresa, que implicou ex-executivos e os próprios estaleiros em esquemas de pagamento de propina, o banco está impondo novas condições para assinar a liberação dos recursos. O banco não quis comentar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Sete Brasil tem esse nome pois esse foi o número de empresas que se tornaram investidores da companhia — são os fundos de pensão: Petros, Previ, Funcef e Valia, além dos bancos Santander, Bradesco e o BTG Pactual. Em seguida, a companhia se juntou ao grupo a Petrobras. E mais adiante, entraram como cotistas as empresas de investimento EIG Global Energy Partners, a Lakeshore e a Luce Venture Capital e o fundo FI-FGTS.