27 de Maio de 2012
Institutos recomendam cautela aos tomadores de empréstimo, apesar de impacto pequeno
Como boa parte do governo e quase a totalidade do mercado previa, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) foi unânime e reduziu a taxa básica de juros da economia em 0,5 ponto percentual. Com a decisão, tomada pelo colegiado formado pelos diretores da autoridade monetária nesta quarta-feira (30), a Selic passa a vigorar em 11% ao ano.
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Ainda assim, para o consumidor, o impacto imediato da redução da taxa básica será muito pequeno. Desde a última reunião do Copom, em outubro, as taxas médias de juros cobradas pelos bancos nas operações de empréstimo pessoal e cheque especial se mantiveram praticamente inalteradas.
Dos sete bancos avaliados pela pesquisa mensal de taxas de juros da Fundação Procon-SP, quatro não mexeram nas taxas do cheque especial em novembro, apesar de o Copom ter reduzido a Selic. A média cobrada pelos bancos pesquisados foi de 9,55% ao mês. No empréstimo pessoal, houve um aumento médio de 0,05 ponto percentual, chegando a 5,9% ao mês.
A Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade) dispõe de números ainda mais preocupantes para o consumidor. Com a redução da Selic hoje, caso uma pessoa tome um empréstimo pessoal de R$ 5.000 em banco, terá de pagar R$ 6.493,69 por ele daqui a um ano. Em uma financeira, a conta sobe para R$ 8.261,20.
Os vilões continuam sendo o cheque especial e o cartão de crédito. No primeiro, utilizando R$ 1.000 por 20 dias, o consumidor terá de pagar R$ 54,47 a mais. O dinheiro de plástico, por sua vez, é ainda mais perigoso. Usar o rotativo do cartão sobre uma dívida de R$ 3.000 pode gerar um gasto extra de R$ 319,50 em apenas um mês.
Com isso, as duas instituições aconselham o consumidor a evitar a tomada de crédito e priorizar o pagamento das dívidas pendentes, ainda mais no fim do ano.
Mas se a dúvida é se compra ou não aquela geladeira que você está namorando há um bom tempo, vale prestar atenção nessa conta. Levando-se em conta os juros do comércio, uma geladeira de R$ 1.500, financiada em 12 meses, sairia por R$ 2.076,93, com a nova taxa de 5,40%, que considera a queda de 0,5 ponto percentual da Selic. Isso representa uma redução de R$ 4,64 (valor cheio) ou de R$ 0,39 no valor de cada parcela.
Mercado
A decisão do Copom seguiu o a previsão dos analistas financeiros. A maioria cravava a redução da Selic em apenas 0,5 ponto percentual, para 11%. Isso porque, apesar de a indústria brasileira dar sinais de desaquecimento e o mercado internacional continuar sofrendo os efeitos da crise econômica, os números da inflação ainda preocupam.
O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), que serve como uma prévia do índice utilizado oficialmente pelo governo para medir o aumento de preços, registrou alta de 0,46% em novembro.
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