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27 de Maio de 2012

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publicado em 16/12/2011 às 09h31:

Brasil atrai expatriados que cursam
MBA nos EUA, diz universidade

Falta de mão de obra qualificada faz 14% das empresas brasileiros buscar profissionais no exterior

BBC Brasil

 

 

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Mesmo com ofertas de emprego nos Estados Unidos, mais brasileiros formandos em MBA (Mestrado em Administração de Negócios) de uma universidade americana têm preferido voltar ao Brasil para trabalhar.

A observação é da diretora de admissões da Universidade Duke (Carolina do Norte), Megan Lynam, a partir da conversa com estudantes. "São pessoas que têm oportunidades de trabalho nos EUA, mas estão escolhendo regressar ao Brasil", diz Lynam.

- Nem sempre é uma decisão fácil. [Mas] muitos dizem querer ser parte de um período de crescimento de seu país. Além disso, o Brasil não tem executivos o suficiente, então as possibilidades de crescimento rápido na carreira são maiores.

O engenheiro Leandro Iwase, 34 anos, é um dos alunos do MBA de Duke que têm ofertas de trabalho nos dois países. Ele diz que recebeu propostas de emprego de duas empresas brasileiras e de duas americanas, e até janeiro tomará uma decisão.

"O interessante é que antes (os formandos) não tinham essa opção (de voltar ao Brasil)", diz ele, alegando que era pequeno o interesse das empresas brasileiras em pessoas com títulos de MBA. "Agora, a procura aumentou, os salários estão equivalentes e, em alguns casos, ainda maiores no Brasil. Tenho visto empresas e indústrias brasileiras criando programas para recrutar brasileiros aqui."

Segundo Iwase, muitas dessas empresas têm até ajudado nos custos do MBA (de cerca de US$ 100 mil, se considerado apenas o valor do curso), que também pode ser financiado por bolsas de estudo ou empréstimos universitários.

Mercado de trabalho

A amostra de Duke é pequena, mas é vista pela universidade como o indicativo de uma tendência: em 2003, só 1 dos 7 brasileiros que cursaram o MBA da universidade regressaram ao Brasil para trabalhar. Já na turma que se forma no ano que vem, o número cresce: dos 14 brasileiros, oito manifestaram desejo de voltar ao Brasil, quatro pretendem ficar nos EUA e dois (incluindo Iwase) ainda não decidiram.

- O interessante é que antes (os formandos) não tinham essa opção (de voltar). Agora, a procura aumentou, os salários estão equivalentes e, em alguns casos, ainda maiores no Brasil. Tenho visto empresas e indústrias brasileiras criando programas para recrutar brasileiros aqui.

A tendência se assemelha a outros fenômenos recentemente associados ao crescimento do Brasil e do mercado de trabalho brasileiro.

Reportagem de agosto do diário econômico britânico Financial Times relatava que um crescente número de executivos brasileiros que vivia no exterior havia muito tempo estava retornando ao país para preencher vagas abertas pela escassez de talentos locais em nível gerencial.

E pesquisa de novembro da consultoria de RH ManpowerGroup aponta que, por conta da falta de mão de obra qualificada o suficiente, 14% dos empregadores brasileiros têm buscado no exterior profissionais para preencher suas vagas.

Segundo Megan Lynam, que visitou o Brasil nesta quinta-feira, a tendência de regresso à terra natal é vista também entre estudantes do MBA da Duke vindos de outros países latino-americanos.

- Nossos alunos do Chile, por exemplo, tradicionalmente sempre voltaram ao seu país [após os estudos]. Mas vejo no Peru uma tendência semelhante à observada no Brasil.

Por conta do crescimento da região, a Duke diz que está tentando recrutar mais alunos brasileiros e latino-americanos para seu MBA.

"É importante que nossas classes sejam representativas e (etnicamente) diversas. Focamos a América Latina por causa do crescimento e pela existência de várias microeconomias dentro da região", diz Lynam.

“Ciência Sem Fronteiras”

A especialização de brasileiros no exterior virou tema de política governamental nesta semana, com o anúncio, por parte da presidente Dilma Rousseff, do programa Ciência Sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudo para brasileiros que queiram estudar em universidades do exterior.

Na primeira leva, o programa selecionou candidatos para estudar um ano de seus cursos de graduação em universidades norte-americanas. Mil e quinhentos candidatos foram selecionados, e os primeiros 841 embarcam em janeiro de 2012, segundo a assessoria do governo.

A princípio, os cursos focados pelo programa são mais voltados a áreas como engenharia, tecnologia e biologia. Mas Dilma disse que cursos de humanas também farão parte do projeto no futuro. Mais detalhes em www.cienciasemfronteiras.gov.br.

 
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