Sebastião Moreira/20.fev.2010/EFEO embaixador dos EUA, Thomas Shannon (à frente), que se reuniu nesta segunda com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf; brasileiros querem dinheiro americano para compensar subsídios agrícolas e evitar retaliação
27 de Maio de 2012
Fundo substituiria retaliações autorizadas pela Organização Mundial do Comércio
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, encontrou-se nesta segunda-feira (22) com o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, para discutir o tema.
Em agosto do ano passado, após uma disputa de quase uma década na OMC, a organização autorizou o Brasil a retaliar os EUA em cerca de US$ 300 milhões por ano - mas o valor poderia variar de acordo com os subsídios americanos. O Brasil pedia compensações por argumentar que os EUA concedem subsídios de U$ 3 bilhões anuais, o que dificulta a competitividade do produto brasileiro em mercados no exterior.
Os dois países agora negociam como essa retaliação será aplicada, e setores americanos ameaçam também retaliar o Brasil, principalmente na área de patentes, caso o país lance mão da medida autorizada pela OMC.
Depois da entrevista, ele afirmou:
- Dentro do nosso relacionamento com os EUA, a retaliação deve ser evitada. Mas a resolução da OMC deve ser respeitada. É fundamental que se encontre um caminho.
Skaf disse então que os produtores brasileiros estão dispostos a esperar até 2012, quando o Congresso dos EUA fará uma reforma na sua lei agrícola (a chamada “Farm Bill”, que regula entre outras coisas a questão dos subsídios). Mas “desde que haja uma compensação” até lá.
Ele propôs ao embaixador a criação de um fundo, com dinheiro americano, para financiar a lavoura brasileira.- Esse fundo seria um mecanismo para auxiliar a cotonicultura nas áreas de tecnologia, produtividade e combate a pragas e doenças. E sem depender do Congresso americano.
Thomas Shannon também falou sobre o tema aos jornalistas:
- É importante saber que para os Estados Unidos existe boa vontade para encontrar uma solução negociada que evite a retaliação.
Ele não disse qual seria essa solução, mas se mostrou otimista.
- Não posso entrar em detalhes neste momento porque é uma situação delicada. Mas há boas chances de encontrar uma solução positiva.
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