Genebra, Frankfurt, Paris, Detroit e Tóquio são as metrópoles que sediam os maiores salões de automóveis do mundo, nos quais os últimos lançamentos da indústria são apresentados como obras-primas.
Entre tantas novidades, porém, as que mais despertam interesse e paixão são os carros-conceito. São modelos construídos artesanalmente para indicar tendências de mercado e testar novas tecnologias; desde motores movidos a combustíveis alternativos (como células de hidrogênio ou eletricidade), até novos dispositivos de conforto e segurança.
A ideia é a mesma dos grandes desfiles de moda. Cenas das top models vestidas de forma "pouco convencional" são comuns nas passarelas, mas você dificilmente encontra aquelas roupas à venda nas lojas. Os estilistas estão para os designers de carros, assim como os vestidos da alta-costura estão para os protótipos.
Até a década de 80, era comum as montadoras "errarem a mão" ao apresentar os modelos do carro do futuro da época. Os protótipos mais pareciam foguetes ou até discos voadores e nunca viraram realidade, como comprovam os modelos atuais.
– A chegada da informática ajudou no desenvolvimento prévio dos protótipos, graças à simulação virtual e também a muita pesquisa de mercado. Por isso, os carros-conceitos atuais são bem mais próximos dos modelos que entrarão em linha de produção – afirma o engenheiro José Fernando Penteado, da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade).
O objetivo principal dos protótipos atuais é a eficiência ecológica, com a busca pela economia de combustível tradicional (álcool, gasolina e diesel) e, principalmente, o uso de combustíveis alternativos.
– Acredito que teremos vários e não apenas um único combustível usado no futuro, mas o carro elétrico tem mais possibilidade de sucesso em um horizonte de médio prazo (10-15 anos). Isso porque a tecnologia de células de hidrogênio ainda tem muito a evoluir para se tornar viável – diz a especialista do setor automobilístico Letícia Costa, vice-presidente da consultoria Booz & Company.
Por mais racional que os carros-conceito tenham se tornado frente à crise econômica e à crescente concorrência, que limitam os gastos e, com isso, os devaneios dos designers, os protótipos mantêm a aura de vedetes dos salões.
– O automóvel é um bem usado para fins práticos, mas a compra dele sempre envolve o lado emocional. Por isso, os protótipos mais ousados não podem ser deixados de lado, já que são eles que estimulam a criação de modelos cada vez mais sedutores – diz Letícia Costa.