Desde que abriu seu restaurante no começo deste ano, o chef Carlos Ribeiro, de 49 anos, passou a trabalhar até 17 horas por dia.
Essa é uma das desvantagens de quem decide ser seu próprio patrão: o negócio exige uma atenção constante para dar certo. Antes de inaugurar o
Na Cozinha numa rua badalada dos Jardins, região nobre de São Paulo, ele trabalhou como empregado em diversos restaurantes da capital, onde chegou em 1994 vindo de João Pessoa (PB).
-Quem trabalha com produto perecível, como comida, precisa controlar bem as perdas e os desperdícios, treinar bem o pessoal, ficar de olho na concorrência e buscar sempre os melhores fornecedores, ensina Carlos, que também é professor de culinária.
Achar o local ideal para montar o empreendimento foi um dos desafios. O Na Cozinha funciona no número 955 da rua Haddock Lobo, cercado de outros restaurantes e hotéis.
-Invisto em pratos da cozinha brasileira. Isso é muito valorizado pelos turistas estrangeiros que se hospedam nos hotéis próximos. Com os gringos, estou melhorando meu inglês. Também os moradores dos Jardins gostam de novidades e, se um restaurante está lotado, logo entra no que está ao lado, conta Carlos.
Por enquanto, ele não pensa em expansão do negócio. Seu foco é conseguir uma clientela fiel para ocupar os 24 lugares do restaurante.
No local, também funciona no primeiro andar uma área onde Carlos dá aulas de culinária. Ele diz que esse diferencial ajuda a divulgar seu negócio e a criar fregueses cativos.
Quando era só empregado dos outros, o chef afirma que só se preocupava com a qualidade dos ingredientes e a beleza na apresentação dos pratos. Agora as dificuldades são outras: negociar prazos com fornecedores, buscar parcerias, pagar as contas em dia e motivar o pessoal.
Mas os esforços são recompensados se você tem paciência e toma as decisões mais inteligentes, diz Carlos, que se interessou pela gastronomia por influência da família. Seus avós cozinhavam bem e escreviam as receitas num diário, descoberto recentemente pelo chef.