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25 de Outubro de 2014

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publicado em 25/12/2012 às 20h02:

China corteja empresas estrangeiras em busca de bons negócios

The New York Times News Service / SindicatoThe New York Times News Service / Sindicato

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Hong Kong – Enquanto os negociadores de Wall Street esperam pelo renascimento do moribundo mercado de fusões, empresas chinesas gastam rios de dinheiro com aquisições internacionais.

Contudo, os compradores chineses estão encarando os olhos atentos dos governos estrangeiros, especialmente em Washington, uma vez que as viagens de compras da China coincidem com um aumento na assertividade da política internacional do país, incluindo o lançamento de embarcações de vigilância, além de destroieres e fragatas em uma série de confrontos territoriais com aliados americanos como o Japão, o Vietnã e as Filipinas.

De acordo com dados da Thomson Reuters, até o momento, o volume chinês de aquisições estrangeiras cresceu 28 por cento este ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Esses números são especialmente expressivos quando comparados à queda de 2,8 por cento no volume global de fusões e aquisições.

As aquisições internacionais da China continuaram crescendo apesar de uma queda durante o terceiro trimestre quando, em meados de novembro, as empresas estatais – principais compradoras da China – e algumas empresas privadas esperavam por uma mudança na liderança política no Congresso do Partido Comunista. Todavia, os compradores chineses já estão de volta.

Dois acordos realizados com empresas chinesas foram anunciados em dezembro, mas banqueiros e advogados afirmam que inúmeras outras transações já estão em fase de discussão. Porém, muitas delas podem demorar mais de um ano para se concretizarem, em função do burocrático processo de aprovação do governo chinês.

"Veremos uma aceleração – dá para ver isso acontecendo agora", mesmo que o efeito imediato não seja um grande aumento no número de transações, afirmou Andre Loesekrug-Pietri, presidente e sócio-gerente da A Capital, um fundo de private equity com sede em Hong Kong.

De fato, Pequim deseja que mais acordos sejam fechados e tem encorajado o setor bancário estatal a financiá-los.

"O aumento no investimento das empresas chinesas no exterior é uma tendência inevitável", afirmou o ministro do comércio Chen Deming, em uma conferência recente, acrescentando que a China não quer continuar investindo tanto em títulos de renda fixa.

"Com reservas de 3 trilhões de dólares à nossa disposição", acrescentou, "não vamos ficar parados vendo esses ativos se depreciarem com a terceira rodada de flexibilização quantitativa. Precisamos injetar esse dinheiro na economia de verdade e dar nossa contribuição à prosperidade global".

O Grupo Wanxiang concordou em pagar 256 milhões de dólares para comprar a maior parte da A123 Systems, a falida fabricante de baterias de alta tecnologia. Além disso, um grupo de investidores chineses concordou no mesmo dia em pagar 4,2 bilhões de dólares para controlar a empresa de aluguel de aeronaves do American International Group.

O Canadá aprovou a aquisição da Nexen pela Cnooc (Corporação Nacional de Petróleo Offshore da China, na sigla em inglês) por 15 bilhões de dólares. Entretanto, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Cfius, o comitê americano que examina investimentos estrangeiros do ponto de vista da segurança nacional.

Poucos acordos deverão ser fechados nos próximos três meses, mas um aumento considerável deve ocorrer no início do segundo semestre de 2013, afirmam banqueiros e advogados. Empresas estatais realizam mais de 80 por cento das aquisições chinesas no exterior em termos financeiros e muitos dos principais executivos dessas empresas devem mudar de posição no inverno deste ano, à medida que os novos líderes do Partido Comunista começarem a promover seus aliados.

Apesar do longo período de execução para negócios chineses, os banqueiros dizem que o processo está claramente começando.

Dois dos maiores negócios feitos por empresas chinesas este ano estão ligados ao controle de empresas norte-americanas. A proposta de compra da Empresa Internacional de Arrendamento Financeiro (ou ILFC, sigla em inglês), pertencente à AIG, foi a maior aquisição chinesa da história, de acordo com dados da Thompson Reuters.

As raízes dessa transação foram plantadas no último trimestre do ano passado. Os membros do novo governo chinês queriam mostrar a seriedade do país na busca por investimentos fora da China e gastaram tempo organizando o consórcio mais adequado para realizar um bom negócio.

O governo escolheu Weng Xianding, investidor e funcionário veterano das agências de regulamentação financeira chinesas, para liderar as negociações. Sua empresa, a New China Trust, é basicamente a maior credora comercial da China e tem empresas ocidentais como a Barclays entre seus investidores.

Em setembro, o grupo começou a negociar com a AIG, depois de formarem o consórcio que inclui um fundo de investimentos ligado a uma fábrica estatal de bombardeiros e caças a jato, e muitos dos detalhes foram negociados entre Weng e o executivo chefe da seguradora americana, Robert H. Benmosche. Segundo uma pessoa diretamente envolvida nos acontecimentos, o objetivo chinês era conduzir as conversas "à moda ocidental", utilizando assessores ocidentais e deixando de lado os tradicionais procedimentos burocráticos.

As conversas foram realizadas em pouco mais de três meses e os compradores foram capazes de negociar quase 50 por cento de desconto sobre o valor contábil da ILFC.

De acordo com entrevistas dadas por autoridades do governo chinês, banqueiros, advogados e especialistas, existem duas tendências que se tornaram aparentes na realização de negócios da China no exterior.

O governo está pressionando as empresas chinesas a buscarem o controle minoritário de empresas internacionais, ao invés do controle total imediato, podendo assim aprender com o conhecimento de gestão internacional, segundo duas autoridades ligadas ao governo chinês. Ao mesmo tempo, as empresas chinesas estão ampliando a gama de aquisições, incluindo mais empresas manufatureiras e de marcas de consumo, sem perder o interesse em recursos naturais e serviços financeiros.

"Não diria que há um desejo de adquirir o controle minoritário, mas acredito que a maioria das pessoas entenda que esse é o caminho mais correto", afirmou Michael S. Weiss, chefe de fusões e aquisições chinesas no Morgan Stanley.

Outros banqueiros afirmam que um dos maiores obstáculos à aquisição do controle minoritário reside na preocupação de muitas empresas estrangeiras, que não desejam ter sócios chineses – especialmente porque quase 80 por cento dos compradores chineses são empresas estatais e praticamente todo o resto possui ligações com o governo.

Muitos dos compradores de hoje tiraram lições importantes de erros do passado e fazem o possível para agradar os reguladores do governo antes de fazerem grandes ofertas. A Cnooc aprendeu com a tentativa frustrada de comprar a petrolífera Unocal há sete anos e tentou aplicar essas lições durante a compra da Nexen.

A empresa chinesa considerou o acordo, em parte, por acreditar que a aquisição poderia ser aprovada, segundo uma pessoa diretamente ligada aos acontecimentos. Embora seja uma das grandes empresas do setor energético no Canadá, a Nexen não é uma das marcas mais icônicas do país, o que evita o tipo de batalha que cercou a aquisição da Potash, produtora de um importante fertilizante.

A Cnooc contratou um batalhão de assessores, incluindo lobistas e especialistas em relações públicas, para convencer o público de que o acordo visa somente fortalecer a empresa de energia canadense. Além disso, a Cnooc estava aberta em relação a boa parte do financiamento, evitando preocupações de que a empresa seria financiada a baixo custo por bancos estatais.

Ainda assim, preocupações com a segurança nacional podem desacelerar outros acordos. Banqueiros e advogados afirmam que o Comitê de Investimentos Internacionais dos Estados Unidos (Cfius, sigla em inglês) pode frustrar muitos dos desejos de potenciais compradores. O grupo analisa de perto os acordos para garantir que não irão prejudicar os interesses de segurança nacional do país.

Diferentemente do Canadá, onde as negociações com a agência de fiscalização de investimentos estrangeiros são públicas, o Cfius revisa os processos de aquisição a portas fechadas e os possíveis compradores nem sempre ficam sabendo que o acordo foi rejeitado.

A porta-voz do Departamento do Tesouro, Natalie Earnest, afirmou em uma declaração: "Quando consideramos investimentos estrangeiros nos Estados Unidos, temos a obrigação – como qualquer outro país – de proteger a segurança nacional, e esse é o foco exclusivo do CFIUS."

Membro democrata da Comissão de Revisão de Segurança e Econômica das Relações Sino-Americanas, Michael R. Wessel afirmou que congressistas de ambos os partidos se preocupam com o primeiro acordo chinês anunciado neste outono do Hemisfério Norte, a aquisição por 117,6 milhões de dólares da Complete Genomics, uma empresa que faz sequenciamento genético em Mountain View, na Califórnia.

Wessel também é assessor comercial do Sindicato dos Metalúrgicos e criticou o acordo com a AIG, que inclui um fundo de investimentos financiado pelo governo chinês, ligado à principal fabricante chinesa de aeronaves de guerra. Segundo eles, companhias aéreas poderiam ser pressionadas a comprar peças fabricadas na China, ou até mesmo exigir que as companhias aéreas arrendem aviões chineses de passageiros, atualmente em fase de desenvolvimento.

Um porta-voz do grupo chinês afirmou em uma declaração que a ILFC já possui uma das maiores listas de pedidos de aviões, incluindo o compromisso formal de aquisição de 279 aeronaves Boeing e Airbus até o ano 2020.

"Continuaremos a aumentar essa lista de pedidos, pois vemos oportunidades de mercado baseadas na atratividade e na economia oferecida por esses fabricantes", acrescentou.

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