27 de Maio de 2012
Custos com aluguel e funcionários obrigaram os donos de restaurantes a repassar o aumento
O preço da refeição em restaurante ficou mais salgado neste ano variando positivamente acima da inflação. No ano, até a primeira quadrissemana deste mês, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) teve variação de 3,99%, enquanto a alimentação em restaurantes mostrou expansão de 5,09%.
Apesar do arrefecimento da pressão inflacionária gerada pelos alimentos no primeiro trimestre de 2010, os custos com aluguel e mão de obra reduziram as margens de lucro dos empresários, que decidiram dividir a conta com o consumidor.
No IPCA medido pela Fundação Ipead (Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais), a alimentação em restaurante, nos últimos 12 meses, apresentou expansão de 9,25%, para um IPCA geral de 5,41%. Na primeira quadrissemana de julho, houve variação positiva de 0,63% para alimentação em restaurante, enquanto o IPCA teve leve queda de 0,07%.
Pesquisa do site Mercado Mineiro indicou um encarecimento no preço da comida nos restaurantes self-service de Belo Horizonte de 2,72%, na comparação de fevereiro - quando a alimentação era apontada como a vilã da inflação -, com junho, quando os preços estavam recuando. O estudo está em sintonia com o que dizem os empresários do setor, quando afirmam que, embora a curva de preço dos alimentos não aponte mais para cima, outros custos que compõem o preço da refeição fazem o quilo da comida ficar mais caro.No restaurante Prot’s, no bairro Barro Preto, o preço do quilo sofreu aumento de 14,3% de junho para julho, passando de R$ 13,90 para R$ 15,90. Conforme o proprietário, Richardson Proti Ribeiro, o reajuste foi necessário principalmente em função do custo maior gerado pelo aluguel mais caro, além, também, da correção dos salários dos funcionários.
- A refeição ficou mais cara, mas a variação sazonal no preço dos alimentos foi um custo que conseguimos administrar, já o aumento exorbitante nos gastos com aluguel forçaram o reajuste.
De acordo com levantamento da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi), o aluguel de imóvel comercial na Capital valorizou 8,85% no ano e 1,19% em junho. No que se refere ao Imposto Predial e Territorial e Urbano (IPTU), no ano passado, houve alteração na base de cálculo que passou a ser baseado no valor venal dos imóveis, o que pode elevar o valor em até 150% em alguns casos.
O coordenador de pesquisa e desenvolvimento do Ipead, Wanderley Ramalho, reforçou que os custos do negócio são fatores que, diante da atual conjuntura, pesam mais na formação do preço da refeição que o próprio alimento. “No primeiro trimestre, o preço dos alimentos fizeram forte pressão inflacionária, porém, o cenário é outro, e os preços já caíram e sem perspectiva que voltem a subir”, disse.No Restaurante Too Much, no Bairro Santa Efigênia, a gerente Clareth Assunção explica que, desde janeiro, os custos sofreram forte aumento, mas a decisão foi de manter a política de reajuste anual dos preços.
- Reajustamos em maio e não pretendemos fazer outro aumento.
No entanto, para impedir que a movimentação de clientes diminuísse, foi decidido absorver os gastos, já que, neste ano, os negócios estão menos aquecidos.
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