O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central define nesta quarta-feira (9) a nova taxa básica de juros (a Selic, que está em 9,5% ao ano). A expectativa é de que os juros sejam elevados mais uma vez, a fim de conter a inflação e esfriar o consumo.
Nesta manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o índice oficial de inflação medido no mês de maio, que acelerou 0,43%, abaixo ao avanço registrado em abril de 0,57%. O motivo do recuo foi uma redução na variação dos preços dos alimentos, o que poderá influenciar na decisão do Copom nesta tarde. Isso porque apesar da desaceleração, a inflação acumulada no ano já está em 5,22%, um pouco acima da meta do governo de 4,5% -- que permite ainda uma variação de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
Anteriormente, analistas ouvidos pelo BC apostavam em um aumento de 0,75 ponto, o que levaria a Selic para 10,25% ao ano e de volta aos maiores níveis de juros do mundo. Na reunião anterior, em abril, o comitê voltou a subir os juros após um ano e sete meses.
O ciclo de cortes da Selic teve início em janeiro de 2009, quando a taxa passou de 13,75% para 12,75% ao ano, e foi até julho, chegando a 8,75%. Depois disso, o Copom optou pela manutenção dos juros até a reunião de março deste ano. A projeção dos analistas para o ano é de que a Selic chegue a 11,75%.
Segundo José Goes, economista da Alpes Corretora, a economia brasileira continua aquecida e aumenta a pressão sobre os preços.
- As expectativas para o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o índice oficial de inflação] no ano que vem e para os próximos 12 meses continuam acima do centro da meta, indicando a continuidade do ritmo de elevação da taxa de juros.
Na última reunião, o Banco Central já dava indícios de que poderia continuar aumentando os juros para controlar a inflação. Segundo o boletim Focus, levantamento do Banco Central feito com analistas, o IPCA deverá fechar 2010 em 5,64%, contra estimativa anterior de 5,67%.