27 de Maio de 2012
Entre 1992 e 2008, pesquisa mostra que desemprego caiu e renda do brasileiro cresceu
A desigualdade na distribuição de renda da população brasileira caiu entre 1992 e 2008, mas de forma muito tímida. A melhora, ainda que pequena, reflete a diminuição do desemprego no país e o aumento da renda do brasileiro no período, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A conclusão faz parte dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2010, divulgados nesta quarta-feira (1º) no Rio de Janeiro.
O estudo leva em conta o índice de Gini, usado para medir o nível de desigualdade. O Brasil saiu de 0,575 em 1992 para 0,531 em 2008, sendo que o zero indica situação de perfeita igualdade, enquanto o número um aponta desigualdade máxima.
Para elaborar esse indicador, o IBGE utilizou as informações relativas à população a partir dos dez anos de idade e seus rendimentos mensais de todas as fontes, todas incluídas na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
A pesquisa conclui que houve avanços, como a redução da taxa média anual de desocupação, o aumento do rendimento médio mensal e a redução da concentração na distribuição de renda. Para o IBGE, o crescimento da população diminuiu os efeitos positivos do crescimento dos empregos e dos salários.
De 1995 a 2009, o PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas geradas) per capita (para cada habitante) passou de R$ 4.441 para R$ 5.405. É como se cada pessoa aumentasse seus rendimentos em R$ 964 (alta de 21,7%) nesse tempo. A população saiu de 158 milhões para 191 milhões de pessoas.- Os maiores crescimentos foram verificados nos anos finais da série [desde 2003], com exceção do ano de 2009, no qual os efeitos da crise internacional também afetaram a economia brasileira.
Distribuição de riquezas
O estudo destaca que é importante avaliar não somente o crescimento econômico de um país, medido pelo PIB, mas também como acontece a repartição dessas riquezas pela população e se o crescimento se traduz em melhoria na qualidade de vida.
- Persistem desigualdades regionais em todos os indicadores deste tema. O combate à desigualdade é fundamental para assegurar a redução da pobreza, um dos principais desafios do desenvolvimento sustentável.
O Distrito Federal e o Piauí aparecem como os Estados com maior desigualdade em distribuição de renda com valores de 0,618 e 0,579 no índice de Gini, respectivamente. Com a menor desigualdade estão o Amapá (0,442), Santa Catarina (0,475) e Rondônia (0,484).
De acordo com o IBGE, a desigualdade na distribuição de renda e a pobreza estão entre os problemas mais graves do Brasil.
O Piauí é o Estado com o menor PIB per capita (dados de 2007), com riqueza equivalente a R$ 4.662 por habitante, e Alagoas (R$ 5.858). Do outro lado, aparecem o DF (R$ 40.696 por habitante) e São Paulo (R$ 22.667 de PIB per capita).
Piauí, Paraíba e Alagoas concentram um dado controverso: ao mesmo tempo em que têm baixos níveis de desigualdade – apresentam os maiores índices de Gini (0,579, 0,570 e 0,544, respectivamente) –, apresentam pouca geração de riqueza.
Nestes Estados, mais de 40% de famílias com rendimento mensal per capita menor que meio salário mínimo. É como se a renda fosse dividida da forma mais igualitária possível, mas nivelando por baixo, com cada um ganhando uma fatia pequena do bolo.
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